
Por que a Apple pune o Telegram, mas nunca o X, por conteúdo impróprio?
A remoção temporária do Telegram da App Store por CSAM reacendeu a discussão sobre critérios desiguais de moderação da Apple entre diferentes plataformas de grande escala.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Telegram é tirado da Apple Store
Na noite de segunda-feira (3), a Apple removeu o Telegram da App Store em todo o mundo após uma revisão identificar conteúdo que violava as diretrizes da empresa contra material de abuso sexual infantil (CSAM). Segundo a Apple, o aplicativo "foi restaurado depois que o desenvolvedor prontamente removeu o conteúdo e baniu o usuário que o postou". O app ficou fora da loja por cerca de 40 minutos, entre 21h30 e 22h10 no horário do Leste dos EUA.
Em resposta, o Telegram atribuiu o episódio a uma única conta: "a Apple reportou um usuário compartilhando CSAM, que foi imediatamente banido", afirmou a empresa, acrescentando que removeu mais de 337.900 grupos e canais relacionados a esse tipo de conteúdo somente em 2026.
A pergunta que ficou no ar
O episódio reacendeu um debate recorrente no mercado de tecnologia: por que a Apple age com rapidez contra o Telegram diante de violações pontuais, mas plataformas como o X (antigo Twitter), que também enfrentam críticas recorrentes por moderação de conteúdo, raramente sofrem punições equivalentes na App Store?
A questão foi publicamente levantada por Tim Sweeney, CEO da Epic Games e crítico histórico das políticas da App Store, que questionou a inconsistência do tratamento dado pela Apple a diferentes aplicativos de comunicação em massa. Para Sweeney, se o padrão aplicado ao Telegram fosse seguido à risca com qualquer app de comunicação em escala, nenhum deles conseguiria operar sem risco constante de remoção.
Um histórico de atritos
Não é a primeira vez que o Telegram entra em rota de colisão com a Apple. A plataforma, fundada por Pavel Durov, já foi alvo de remoções e exigências de mudança de conteúdo em outras ocasiões ao longo dos anos, alimentando a percepção de que a empresa recebe escrutínio mais rígido do que rivais de porte semelhante.
A Apple não detalhou publicamente critérios objetivos que expliquem por que certas plataformas recebem ação imediata diante de denúncias e outras não, o que mantém em aberto a discussão sobre a transparência e a consistência das regras de moderação impostas por gatekeepers de lojas de aplicativos como a App Store.