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Ciência05 de ago. de 2026, 19:43

Por que as Cataratas de Sangue deixam o gelo da Antártica vermelho?

Um estudo publicado na Nature Geoscience reforça que a cor avermelhada da Blood Falls, na geleira Taylor, vem da oxidação do ferro presente em água salgada extremamente antiga, aprisionada sob o gelo.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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O fenômeno da Blood Falls

Na Geleira Taylor, no leste da Antártica, um fluxo de água tinge o gelo de vermelho-sangue ao emergir na superfície — fenômeno batizado de Cataratas de Sangue (Blood Falls). O local foi descoberto em 1911 pelo geólogo Thomas Griffith Taylor, durante a Expedição Terra Nova, e por décadas a coloração intensa foi atribuída, erroneamente, à presença de algas.

A explicação química

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

A cor vermelha resulta da oxidação do ferro dissolvido em uma corrente de água extremamente salgada que flui sob a geleira. Enquanto permanece subterrânea, essa salmoura fica protegida do contato com o oxigênio, o que mantém o ferro em estado dissolvido e invisível. Ao emergir na superfície e entrar em contato com o ar, o ferro reage rapidamente e oxida, produzindo a tonalidade avermelhada característica da cachoeira.

A alta concentração de sal também explica por que a água permanece líquida mesmo em um dos ambientes mais frios do planeta: a salinidade elevada reduz o ponto de congelamento do líquido, permitindo que ele escoe mesmo sob temperaturas extremas.

Um reservatório com 1,5 milhão de anos

Segundo o novo estudo, publicado na revista científica Nature Geoscience, essa água está armazenada em um reservatório subterrâneo sob a geleira há pelo menos 1,5 milhão de anos. A pesquisa, liderada pela microbiologista Angela Zoumplis, da Universidade da Califórnia em San Diego, encontrou evidências moleculares de uma comunidade de micro-organismos de origem marinha na salmoura, reforçando a hipótese de que essa água salgada é água do mar antiga que ficou aprisionada sob o gelo durante um período mais quente do planeta, antes de ficar isolada quando o nível do mar baixou.

Um estudo anterior, publicado no Journal of Glaciology em 2017, já havia mostrado que essa formação faz parte de uma rede subterrânea maior de salmoura conectada sob o gelo. A nova pesquisa aprofunda essa hipótese ao encontrar, na água da Blood Falls, uma proporção de micro-organismos eucariontes compartilhados com o oceano muito maior do que a observada no restante da região.

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