
Por que carro elétrico pode virar perda total até em batida pequena no Brasil
Amassados leves no assoalho estão sendo suficientes pra seguradoras decretarem perda total de elétricos como o Renault Kwid E-Tech, por causa da bateria.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Batida pequena, prejuízo gigante
Proprietários de carros elétricos no Brasil têm relatado um problema que pega muita gente de surpresa: colisões leves, do tipo que num carro a combustão renderia um reparo simples de funilaria, estão sendo suficientes pra seguradoras decretarem perda total do veículo. As reclamações se concentram em modelos consolidados no mercado, como o Renault Kwid E-Tech, com queixas registradas em plataformas como o Reclame Aqui sobre veículos descartados por causa de amassados leves no assoalho do carro.
O motivo está embaixo do carro
Foto: reprodução/mobiauto.com.br
A explicação está na engenharia do carro elétrico. Diferentemente dos modelos a combustão, a grande maioria dos elétricos posiciona o conjunto de baterias, seu componente mais caro, na parte inferior do chassi, entre os eixos. Qualquer impacto ou raspão mais forte nessa região, mesmo sem deformar visivelmente a lataria, pode comprometer a integridade da bateria e criar risco de curto-circuito, superaquecimento ou incêndio.
Como não dá pra confirmar a segurança da bateria sem uma inspeção detalhada, e como o conserto ou a substituição da peça é caro, as seguradoras preferem não arriscar.
A conta que não fecha
Trocar o pacote de baterias de um elétrico pode custar mais de R$ 200 mil dependendo do modelo, valor que muitas vezes ultrapassa o próprio preço do carro. Reportagens sobre casos semelhantes mostram orçamentos de reparo passando de 70% do valor do veículo, percentual que, pelas regras do mercado de seguros, já justifica declarar perda total, o mesmo critério aplicado a carros a combustão. Some-se a isso o risco de choque elétrico, incêndio e explosão durante o reparo, que exige mão de obra especializada e cara, e a equação fecha contra o conserto.
Impacto no bolso do consumidor
O efeito colateral já aparece no preço do seguro: como a chance de perda total é maior nos elétricos, apólices pra esses modelos tendem a ficar mais caras, o que preocupa quem está pensando em migrar pra um carro elétrico no Brasil justamente esperando economizar no longo prazo. Especialistas do setor recomendam que compradores pesquisem o histórico de sinistros do modelo desejado e o valor de reposição da bateria antes de fechar negócio, já que esse é o fator que mais pesa na conta final do seguro de um elétrico.