
Por que o público não está comprando a visão de IA de Zuckerberg
Zuckerberg publicou um manifesto de 6.500 palavras sobre "superinteligência pessoal", mas críticos apontam que o histórico da Meta com redes sociais mina a confiança na promessa.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O ensaio de 6.500 palavras
Mark Zuckerberg publicou um manifesto chamado "The Future is for Everyone". São 6.500 palavras defendendo o que ele chama de "superinteligência pessoal": em vez de uma IA centralizada e controlada por poucas empresas, cada usuário teria seu próprio agente, alinhado aos próprios objetivos. É a resposta da Meta a OpenAI e Anthropic — e o argumento central é que a história da democracia e da economia mostra que nenhum ator sozinho deveria decidir o que é melhor pra todo mundo.
Por que ninguém está comprando
O problema, segundo a cobertura da imprensa especializada, não é só o texto — é o mensageiro. A jornalista Rebecca Bellan lembrou que Zuckerberg já prometeu antes "um espaço de conexão entre amigos" com as redes sociais, e o resultado documentado foi outra coisa: mais raiva e mais anúncio, não mais conexão. Em 2019, o mesmo Zuckerberg declarou "o futuro é privado" enquanto comandava um negócio de publicidade construído em cima da coleta de dados pessoais.
Outra crítica recorrente: falta substância. Ao contrário de concorrentes que hoje discutem publicamente pausas de segurança no desenvolvimento de IA, Zuckerberg escreveu que "não podemos desacelerar" — linguagem que analistas chamaram de otimista demais, perto do irreal. E, apesar do investimento pesado da Meta em infraestrutura de IA, a empresa não é vista como líder entre as frontier labs comerciais: seus produtos de consumo — os chatbots do Meta AI dentro do Instagram e do Facebook — seguem sendo descritos como limitados, e os modelos mais avançados da casa, como o Glimmer e o Muse Spark, exigem hardware específico pra rodar.
O que fica sem resposta
Zuckerberg promete distribuir poder de IA pra todo mundo. Mas o veículo dessa distribuição continua sendo uma corporação fechada, com modelo de negócio em publicidade e histórico de manejo de dados questionado por reguladores em várias partes do mundo. Nenhum crítico ouvido nas reportagens explica como as duas coisas se conciliam. Essa é a pergunta que o manifesto não responde — e que a Meta, até agora, também não respondeu.