
Por que o videogame continua caro no Brasil, mesmo com imposto menor
Cortes de IPI aliviaram um pouco o preço de consoles entre 2019 e 2021, mas dólar alto, importação e poder de compra seguem pesando no bolso do jogador brasileiro.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
O imposto caiu, mas o preço não desabou
Se você joga há um tempo, já deve ter ouvido aquela conversa de bar: "lá fora é tudo mais barato por causa do imposto brasileiro". E tem fundo de verdade nisso, mas a história é mais complicada — e eu quero destrinchar com vocês.
Entre 2019 e 2021, o governo federal cortou o IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, para videogames sucessivas vezes. A alíquota para consoles caiu de 50% para 30%, e os jogos com tela incorporada — pensa num portátil, por exemplo — tiveram o imposto zerado. Na prática, isso significou reduções de até R$ 300 no PS5 e de R$ 400 e R$ 200 no Xbox Series X e Series S, respectivamente, segundo o Olhar Digital. Legal, né? Só que isso não resolveu o problema de fundo.
Por que o preço continua salgado
O IPI é só uma fatia do bolo tributário. Em cima dele, o console ainda carrega Imposto de Importação, ICMS (que varia de estado pra estado) e PIS/Cofins — tudo incidindo de forma cumulativa, em cascata. Reportagens do setor, como a do TudoCelular, apontam que a carga tributária total sobre um console pode girar entre 40% e 45% do preço final na nota fiscal. É por isso que o Xbox 360 custava R$ 3 mil aqui em 2006, contra US$ 400 nos EUA, e por que hoje um PS5 que sai por US$ 499 nos Estados Unidos chega a passar de R$ 4.000 nas lojas brasileiras.
E tem mais um vilão no jogo: o dólar. Toda vez que a moeda americana sobe, o custo de importar console, componente e até jogo físico sobe junto — e isso o corte de IPI não resolve. Some a isso o poder de compra do brasileiro médio, bem mais baixo que o americano, e dá pra entender por que um professor da Unicamp, universidade pública paulista, citado na matéria original, descreve o videogame como um "bem de luxo" por aqui: não é o preço em si que pesa, é a relação entre esse preço e a renda de quem quer comprar.
O que isso significa pra quem joga
Na prática, pra nós, jogadores, o recado é: toda redução de imposto é bem-vinda, mas sozinha ela não muda o jogo. Enquanto o câmbio balançar e a cadeia de impostos continuar em cascata, o console de lançamento vai continuar sendo artigo de luxo pra boa parte da galera — e quem segura a ponta é o mercado paralelo, as promoções de Black Friday e aquele parcelamento sem juros que todo gamer brasileiro já aprendeu a caçar. Vale ficar de olho se novas políticas tributárias vêm por aí, porque é isso — e não só o dólar — que pode realmente mudar esse preço no curto prazo.