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MercadoGames15 de out. de 2026, 09:23

Por que operadoras apostam em games para prender o cliente no plano

Claro, Vivo e TIM deixaram de ser só infraestrutura de internet e agora criam assinaturas, benefícios e eventos de e-sports para transformar games em ferramenta de fidelização. A mudança mira receita recorrente e menor troca de operadora.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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250 m² de estande só para games

Foi o tamanho do espaço que a Claro montou na gamescom latam 2026 — dado que resume a aposta das operadoras de celular em transformar jogos em motor de fidelização. A ideia não é mais vender só gigabytes: é empacotar entretenimento, recompensas e experiências dentro do plano para segurar o cliente por mais tempo.

De provedora de internet a curadora de experiência

Até pouco tempo atrás, a relação entre operadoras e jogadores era unilateral: a empresa fornecia a conectividade, e o usuário consumia dados de jogos online sem nenhum tipo de benefício extra vindo da operadora. Esse modelo está mudando. Hoje, games aparecem dentro de planos de assinatura, bundles e programas de relacionamento, na mesma lógica que levou a Amazon a empacotar o Prime Gaming (com benefícios na Twitch) junto do frete grátis do Prime.

A Claro é a que mais avançou publicamente. A operadora anunciou uma nova assinatura voltada a games e recompensas, com preço acessível tanto para clientes quanto para não clientes — um movimento que amplia o público além da própria base, apostando que o benefício pode virar porta de entrada para novos contratos. A empresa também assinou como patrocinadora oficial da Arena de e-Sports da gamescom latam 2026 e montou um estande de 250 m² com infraestrutura 100% acessível — rampas, controles adaptados e sinalização em braile —, além de testes de cloud gaming via GeForce NOW, da Nvidia, em parceria com a Capcom, e demonstrações mobile com a Motorola.

Quem ganha e quem fica de fora

Para as operadoras, a conta é simples: games são um dos conteúdos que mais consomem dados e mais prendem atenção do usuário, então empacotar esse consumo com benefícios exclusivos reduz a migração para a concorrência — o famoso churn — e abre uma nova frente de receita por assinatura, fora do plano de voz e dados tradicional. Vivo e TIM também monitoram esse movimento, mas foi a Claro quem colocou a estratégia em prática de forma mais concreta até agora, com presença de peso em um dos maiores eventos de games da América Latina.

Quem tende a perder nessa equação é o operador pequeno ou o modelo baseado só em preço de dados, sem escala para negociar parcerias com publishers e fabricantes de hardware. Para o consumidor, o efeito prático ainda depende de detalhes que a Claro não revelou publicamente, como nome definitivo, valor exato e data de lançamento da assinatura de games — o que mostra que a corrida das operadoras pelo público gamer brasileiro está só começando.

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