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Mercado22 de set. de 2026, 09:54

Poste Italiane assume controle indireto da TIM Brasil após oferta de R$ 76,8 bi

A estatal postal italiana concluiu oferta de 13 bilhões de euros e elevou sua fatia na Telecom Italia de 20,1% para 66,62%, tornando-se controladora indireta da TIM no Brasil. CEO da operadora brasileira diz que estratégia local não muda.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

A Poste Italiane, estatal postal e de telecomunicações da Itália, fechou a compra de ações que a levou de 20,1% para 66,62% do capital da Telecom Italia (TIM na Itália), em oferta pública avaliada em cerca de 13 bilhões de euros — R$ 76,8 bilhões na cotação atual. Com a operação, comunicada por fato relevante em 18 de setembro, a Poste Italiane vira acionista controladora da Telecom Italia e, por tabela, controladora indireta da TIM no Brasil, já que a operadora brasileira é subsidiária da companhia italiana.

Como fica a cadeia societária

A mudança acontece no topo da estrutura, não na TIM Brasil em si. A operadora brasileira segue como subsidiária da Telecom Italia, que por sua vez passa a responder à Poste Italiane como novo acionista controlador. Antes da oferta, a Poste já era a maior acionista da Telecom Italia, com 20,1% do capital — posição que vinha sendo construída desde 2021, quando o governo italiano decidiu ampliar a presença estatal na companhia de telecomunicações. A oferta pública elevou essa fatia para mais de dois terços do capital social, configurando controle efetivo.

A fatia final da Poste Italiane ainda pode subir: a estatal vai abrir um novo período de adesão à oferta entre 21 e 25 de setembro, para acionistas minoritários que ainda não aderiram.

O que muda — e o que não muda — no Brasil

Segundo o CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli, a troca de controlador não deve alterar a estratégia local. Em declaração após o anúncio, o executivo afirmou que a operadora passa a integrar "um grupo patrimonialmente mais forte", com benefícios de alocação de capital, e destacou que a Telecom Italia vem reduzindo endividamento nos últimos anos — trajetória que a nova estrutura societária reforça.

O peso da operação brasileira ajuda a explicar por que o mercado observa o movimento de perto: a TIM Brasil já responde por cerca de 33,5% da receita total do Grupo TIM, segundo dados do próprio grupo. Isso torna a subsidiária brasileira um ativo estratégico dentro do novo arranjo controlado pelos italianos.

Quem ganha, quem observa

A Poste Italiane ganha controle de um ativo de telecomunicações relevante na Europa e exposição direta ao mercado brasileiro, um dos mais rentáveis do grupo. Para acionistas minoritários da TIM Brasil na B3, a atenção agora se volta a dois pontos: eventual revisão da política de dividendos e possíveis reorganizações societárias decorrentes da mudança de controle na matriz — temas que ainda não têm definição anunciada.

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