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MercadoGadgets20 de set. de 2026, 18:01

Preço de PS5 e Xbox dispara em 2026 com culpa da corrida por IA

Sony e Microsoft subiram preços de consoles em até 67% no sexto ano de geração, à medida que a demanda por memória para data centers de inteligência artificial encarece RAM e armazenamento em todo o mundo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que dói no bolso

Até 67%. Foi o tanto que o Xbox Series S (512 GB) engordou de preço desde o lançamento: saiu de US$ 299, em 2020, para US$ 499,99 em 2026. O Xbox Series X com leitor não ficou muito atrás, com alta de 60%, de US$ 499 para US$ 799,99. Do lado da Sony, o PS5 subiu US$ 100, para US$ 649,99, e o PS5 Pro foi a US$ 899,99, US$ 150 a mais. Estamos falando do sexto ano de uma mesma geração de consoles — historicamente o momento em que os preços caem, não sobem.

A engrenagem por trás da alta

Foto: reprodução/tradingview.com

A explicação não está no design dos consoles, mas na cadeia de suprimentos de memória. A própria Microsoft admitiu que os custos de armazenamento e memória usados na fabricação de seus dispositivos "aumentaram mais de 2,5 vezes", com expectativa de dobrar novamente até o segundo semestre de 2027. Os números do mercado batem com o discurso: os preços de chips de memória dobraram só no primeiro trimestre de 2026, com projeção de alta adicional de 63% no segundo trimestre. Preços spot de DRAM subiram cerca de 60% na comparação anual, depois de uma escalada de 171% em 2025.

A raiz do problema é simples de enunciar e difícil de resolver: os data centers que sustentam a corrida por inteligência artificial generativa consomem quantidades industriais de memória de alta performance para treinar e rodar modelos de linguagem, geradores de imagem e a crescente leva de aplicações de IA. Estima-se que esses data centers já absorvam cerca de 70% da oferta global de memória, deixando fabricantes de eletrônicos de consumo — de smartphones a consoles — disputando o que sobra.

Quem ganha e quem perde

Nessa reprecificação forçada, quem sai na frente são os fabricantes de chips de memória, que direcionam produção para clientes de IA dispostos a pagar mais e represam a oferta para o varejo. Do outro lado do balcão está o consumidor final, pressionado a pagar mais por um hardware que, tecnicamente, não mudou. O efeito já aparece nas vendas: a Sony viu as unidades de PS5 despencarem 58% na comparação anual em maio de 2026, o pior maio para hardware da PlayStation em 26 anos.

Com fabricantes de chips investindo bilhões em nova capacidade produtiva — processo que deve levar ao menos um ano para amadurecer — e a própria Sony sinalizando que os preços elevados devem persistir pelo menos até 2027, o consumidor de eletrônicos entra em uma fase inédita: pagar a conta indireta da corrida bilionária por inteligência artificial.

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