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Smart Cities11 de set. de 2026, 11:14

Prêmio dos EUA elege 4 projetos que resolvem problemas reais do cidadão

O Smart Cities Dive Community Project Award 2026 premiou iniciativas em Jacksonville, Durham, Orlando e nas Twin Cities que atacam moradia, energia, transporte e participação popular com soluções concretas e baratas. A pergunta que fica: quanto custou e quem fiscaliza cada uma delas.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um prêmio que mede impacto, não promessa

O portal americano Smart Cities Dive, veículo especializado em inovação urbana nos Estados Unidos, anunciou os vencedores do 2026 Smart Cities Dive Community Project Award, categoria Smart Cities. Diferente de premiações que celebram tecnologia pela tecnologia, o critério aqui foi outro: qual projeto resolveu, de fato, um problema que o morador sente no bolso ou na pele. Quatro cidades levaram o reconhecimento, cada uma atacando uma dor distinta — energia, moradia, transporte e voz política.

Jacksonville usa dados para impedir que investidores levem a casa da família

Foto: reprodução/smartcitiesdive.com

Em Duval County, na Flórida, investidores institucionais já compraram mais de 20% das casas de aluguel unifamiliares da região, com salto de 145% nas aquisições entre 2018 e 2024 — cerca de 8 mil imóveis. Para conter a sangria, a LISC Jacksonville (Local Initiatives Support Corp., organização sem fins lucrativos de desenvolvimento comunitário) criou o Project Guardian, sistema de alerta antecipado com inteligência artificial. A plataforma cruza escrituras, inventários, dívidas fiscais e violações de código para identificar famílias em risco de perder a propriedade herdada — muitas vivendo como donas sem título formal. Depois do alerta, equipes batem de porta em porta oferecendo ajuda jurídica. O resultado: 2.200 planos sucessórios resolvidos e US$ 54 milhões em valor imobiliário preservado. Quem fiscaliza: a LISC opera em parceria com o cartório de avaliação de imóveis do condado (Duval County Property Appraiser's Office).

Durham leva orçamento participativo para dentro da cadeia

Em Durham, Carolina do Norte, o programa PB Durham entrou na cadeia do condado para dar aos presos voz sobre como a prefeitura gasta parte do orçamento. Usando iPads com acesso à plataforma Durham Neighborhood Compass, os participantes debatem ideias, elaboram propostas ao longo de oito semanas e votam. Na última rodada, 110 pessoas geraram ideias e 230 votaram — mas apenas 3 de 10 concluíram o ciclo inteiro, por transferências e perda de privilégios. As prioridades: quadras e parques para os filhos não repetirem o mesmo caminho. A supervisão de segurança fica com o xerife Clarence Birkhead.

Foto: reprodução/smartcitiesdive.com

Orlando e as Twin Cities: energia e mobilidade sem pegar no bolso

Em Orlando, a Office of Sustainability & Resilience da prefeitura distribui ar-condicionado portátil, aquecedor de água com bomba de calor e painéis solares gratuitos para 95 famílias de baixa renda — 62% dos moradores da cidade alugam. Economia média: US$ 16 por mês, financiada com US$ 115 mil do Partners for Places. Já em Minneapolis e St. Paul, a rede EV Spot Network — segundo a Hourcar, única rede de carsharing e recarga de propriedade municipal do país — soma 168 veículos elétricos e 70 pontos de recarga na rua, com 44% dos usuários de baixa renda e 77% relatando ter adiado a compra de um carro.

E no Brasil?

Os quatro casos têm um traço comum: dados abertos, parcerias com o terceiro setor e prestação de contas pública — elementos que costumam faltar quando municípios brasileiros tentam programas parecidos de habitação ou mobilidade elétrica.

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