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E-sports09 de out. de 2026, 10:52

Presidente da FERJEE avalia Rainhas do Clutch e revela planos para 2027

Marie Freire, nova presidente da federação carioca, diz que o resultado do maior torneio feminino de CS2 do Brasil não foi "tão satisfatório quanto gostaríamos" e detalha os próximos passos da entidade para reter jogadoras profissionais.

Por Larissa Kimura · Repórter de e-sports

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Resultado do Rainhas do Clutch e balanço da gestão

A Rainhas do Clutch 2026, maior campeonato feminino de CS2 do Brasil, terminou com a MIBR Fe no topo do pódio, batendo a Shimmer por 3 a 1 na grande final disputada no Rio de Janeiro — o terceiro título consecutivo da organização em casa. Mas o resultado esportivo não resume o balanço feito por Marie Freire, presidente da FERJEE (Federação de Esports do Estado do Rio de Janeiro, entidade sem fins lucrativos que fomenta o cenário escolar, universitário e feminino de esports no estado). Em entrevista ao Dust2, ela foi direta: "não foi tão satisfatório quanto gostaríamos porque entendemos que não foi suficiente para que algumas grandes organizações permanecessem" no cenário feminino.

A fala expõe um problema estrutural que incomoda quem acompanha o CS feminino de perto: títulos e prêmios não têm sido suficientes para reter grandes nomes no circuito. Freire aponta a raiz do problema na base. "Acredito que falte o incentivo para que elas sigam como jogadoras profissionais. Sabemos que muitas precisam ter dois empregos", disse. É o tipo de declaração que todo torcedor da cena feminina já sentiu na pele: ver talento indo embora por falta de estrutura é frustração que se repete torneio após torneio.

Quem é Marie Freire e o momento da federação

Freire assumiu a presidência da FERJEE recentemente, após uma trajetória dentro da própria federação — entrou há três anos como social media, passou por relações públicas e chegou ao cargo máximo em meio a um momento de transição política. Ela mesma reconhece a surpresa: "se me perguntassem há seis meses se eu ia me tornar presidente, diria que não tinha ideia de que isso poderia acontecer". Antes disso, trabalhou por dois anos em Médicos Sem Fronteiras.

Questionada sobre o momento eleitoral no estado, a presidente minimizou qualquer receio de instabilidade institucional: "não é uma preocupação para a gente quem entrará como governador", já que a federação mantém diálogo com partidos de diferentes espectros e prioriza o relacionamento direto com prefeituras locais para manter projetos como o Gamecraft — escola gratuita de esports e tecnologia que já soma dez unidades no estado — funcionando independentemente de quem estiver no poder.

O que vem em 2027

Para o torcedor que quer saber onde investir atenção na próxima temporada, a FERJEE já desenhou o calendário: uma nova edição internacional do Rainhas do Clutch, programada entre junho e setembro de 2027, além da expansão do Gamecraft para outros estados do país. A federação também confirmou conversas avançadas com Lótus Hub e Gamers Club para aquecer torneios femininos regionais ao longo do ano, numa tentativa de criar um funil mais robusto antes da fase internacional.

É uma aposta para resolver exatamente o gargalo citado por Freire: mais competições regionais, mais tempo de jogo remunerado, menos jogadoras obrigadas a escolher entre carreira competitiva e emprego fixo. Se vai funcionar, só a temporada de 2027 vai dizer — mas pelo menos a pauta está, enfim, na mesa da presidência.

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