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Ciência04 de set. de 2026, 16:57

Pressão de Trump esvazia cúpula espacial de Macron em Paris

SpaceX, Blue Origin, Stoke Space e Starcloud cancelaram participação na cúpula espacial de Paris após a Casa Branca sinalizar que a presença poderia ser lida como apoio a posições da União Europeia contrárias aos EUA. O evento, organizado pelo governo francês, ocorre em 9 e 10 de setembro.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine organizar, com meses de antecedência, o principal encontro espacial da Europa — com chefes de Estado, agências espaciais e as maiores empresas do setor confirmadas — e ver, a uma semana do evento, quatro das companhias americanas mais relevantes cancelarem a viagem de uma só vez. Foi o que aconteceu com a Cúpula Aeroespacial de Paris, marcada para 9 e 10 de setembro e liderada pelo governo do presidente francês Emmanuel Macron.

O que é confirmado

Segundo o Ministério do Ensino Superior, Pesquisa e Espaço da França, SpaceX, empresa espacial de Elon Musk, e Blue Origin, empresa espacial fundada por Jeff Bezos, cancelaram presença no evento, assim como a Stoke Space e a Starcloud, companhias americanas menores do setor espacial. A retirada em bloco também levou ao cancelamento de anúncios conjuntos entre empresas europeias e americanas que estavam planejados para acontecer durante a cúpula.

A origem da pressão, segundo apuração de agências internacionais, foi um telefonema do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, cerca de uma semana antes do evento, a empresas americanas que confirmariam presença. A mensagem: participar do encontro poderia ser interpretado como endosso a posições de política europeia com as quais o governo Trump discorda. Um porta-voz do ministério francês disse à agência AFP ser "difícil não relacionar" as ausências a rumores de pressão vindos de Washington, reforçando que a França segue querendo trabalhar com parceiros americanos apesar dos entraves políticos.

O que é hipótese

Nenhuma das empresas ou da Casa Branca confirmou publicamente, até o momento, o conteúdo exato da ligação nem qual posição europeia específica motivou o desconforto americano — essa parte permanece como reconstrução de bastidores feita por fontes ouvidas pela imprensa, não como declaração oficial. Também não há confirmação pública sobre se outras empresas espaciais americanas foram procuradas e recusaram a pressão, permanecendo no evento.

Por que importa

O episódio expõe uma fratura transatlântica que vai além de retórica: tira da cúpula boa parte do peso comercial americano, esvazia parcerias que estavam para ser anunciadas e sinaliza que o governo dos Estados Unidos está disposto a usar influência sobre empresas privadas — mesmo as mais avançadas em tecnologia espacial — como instrumento de política externa. Para a França e a União Europeia, fica o desafio de sustentar ambições espaciais próprias em um momento de relação mais tensa com Washington.

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