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Ciência06 de out. de 2026, 21:32

Previsão de 1960 aponta 13 de novembro de 2026 como "apocalipse": entenda

Um artigo científico publicado na revista Science em 1960 cravou uma data exata para o fim do mundo, mas a conta era sobre crescimento populacional, não sobre astros. A previsão já foi superada pelos próprios dados demográficos.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Uma data exata, cravada há mais de 60 anos

Para dar uma escala humana ao tema: a data de 13 de novembro de 2026 está circulando nas redes como um suposto "apocalipse" previsto pela ciência — mas a origem real da história é bem menos sobrenatural do que parece. Ela remonta a um artigo publicado em 1960 na revista Science, uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo, assinado pelos pesquisadores Heinz von Foerster, Patricia Mora e Lawrence Amiot. O título do estudo já entrega o tom bem-humorado: "Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026" ("Dia do Juízo Final: sexta-feira, 13 de novembro de 2026").

O que é fato: um modelo matemático sobre população mundial

O que está confirmado nas fontes é que os autores analisaram dados históricos de crescimento populacional dos últimos dois mil anos e ajustaram esses números a uma curva matemática. O resultado apontava para uma "singularidade" — um ponto em que a equação projetava a população mundial tendendo ao infinito. Os pesquisadores escolheram a data de 13 de novembro de 2026 de forma proposital e irônica, já que coincidia com o aniversário de von Foerster.

Segundo o próprio modelo, isso não significava literalmente que a Terra ficaria superpovoada ao ponto de as pessoas serem "espremidas até a morte" naquele dia específico. O verdadeiro recado científico era outro: o padrão de crescimento populacional acelerado observado até então não poderia continuar indefinidamente e precisaria, em algum momento, mudar de comportamento.

O que é especulação (e já foi superado pelos dados)

Aqui está o ponto central para quem vê a data circulando como profecia: a trajetória real da população mundial já se afastou da curva hiperbólica usada no estudo original ainda na década de 1970, por conta de fatores como industrialização e queda nas taxas de natalidade. Ou seja, a própria premissa matemática que levaria à "singularidade" deixou de se sustentar décadas atrás.

Dados atuais da ONU citados na reportagem do Olhar Digital estimam a população mundial em cerca de 8,2 bilhões de pessoas em 2025, com um pico projetado de aproximadamente 10 bilhões apenas nos anos 2080 — um cenário de estabilização, não de colapso matemático abrupto.

Não há base científica para pânico

Vale reforçar: a teoria nunca foi uma previsão literal de fim do mundo, e sim um exercício de modelagem matemática sobre dinâmica populacional, cujo prazo de validade já havia expirado ainda nos anos 1970, segundo a própria trajetória demográfica observada depois da publicação. Não existe, portanto, nenhuma base científica atual que sustente qualquer tipo de catástrofe prevista para 13 de novembro de 2026. Como aponta a reportagem original do Olhar Digital, a data viralizou nas redes descontextualizada, mas a comunidade científica já demonstrou há décadas que o cenário projetado em 1960 não se concretizou.

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