
Primeiras unidades do iPhone Duo chegam com tela quebrada na dobradiça
Donos do primeiro dobrável da Apple relatam telas rachadas bem no ponto da dobradiça, dias após o lançamento. A Apple ainda não confirmou publicamente a causa do problema.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O problema que todo early adopter de dobrável teme
Mal o iPhone Duo chegou às mãos dos primeiros compradores e já apareceram os primeiros relatos de tela quebrada. Segundo publicações no Reddit e nos fóruns do MacRumors, as rachaduras surgem em um padrão bem específico: uma linha de pixels queimados ou brilhantes correndo exatamente ao longo da dobradiça interna, o ponto mais sensível de qualquer tela dobrável.
Um dos casos mais detalhados é de um usuário na Austrália, que diz ter aberto o aparelho menos de 20 vezes antes de ouvir um estalo audível e ver a tela ceder bem na linha de dobra, sem qualquer dano visível anterior. A Apple Store local trocou o aparelho na hora, o que pelo menos mostra que a assistência está preparada para esse tipo de chamado logo na largada.
Foto: reprodução/macrumors.com
Vale lembrar: amostra pequena, sem causa confirmada
Aqui entra o ponto mais importante para quem está pensando em encomendar o seu: o número de relatos ainda é pequeno, e nada aponta, até agora, para um defeito de hardware generalizado. A própria cobertura do caso reconhece que, com tanta gente recebendo o iPhone Duo ao mesmo tempo, algumas falhas isoladas são estatisticamente esperadas. A Apple não comentou publicamente o assunto — o que também não chega a surpreender, dado o histórico da empresa com esse tipo de problema em produtos recém-lançados. A leitura mais honesta é: pode ser lote de fabricação, pode ser manuseio, pode ser as duas coisas. Ninguém de fora sabe ainda.
Foto: reprodução/vice.com
Como isso se compara à concorrência
Dobradiça quebrando é quase um rito de passagem para telas flexíveis. A Samsung já passou por isso com gerações antigas do Galaxy Z Fold, e hoje anuncia 500 mil ciclos de dobra testados em laboratório — um número que a Apple simplesmente não publicou para o iPhone Duo. Testes independentes, no entanto, colocam a dobradiça do Duo bem longe de frágil: unidades chegaram a 32 mil dobras sem perda perceptível de qualidade, e a 10 mil dobras com a dobradiça ainda firme, ainda que o vinco da tela fique mais visível com o tempo — pior, inclusive, que o do Z Fold8 nesse quesito específico depois de 3 mil ciclos.
Vale o preço no Brasil?
Com o iPhone Duo batendo a casa dos R$ 20 mil por aqui, um relato de tela rachada na primeira semana pesa mais no bolso do brasileiro do que em qualquer outro mercado. A especificação de resistência em laboratório é uma coisa; o estalo seco relatado por um usuário comum é outra. Minha recomendação é a mesma de sempre para hardware dobrável na primeira geração: se não for essencial ter o lançamento no dia um, vale esperar as primeiras semanas de uso real antes de decidir — e, se comprar agora, documentar o aparelho e ficar de olho na política de troca da Apple no Brasil.