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CiênciaIA01 de nov. de 2026, 22:02

Primeiro chip de IA do Google em órbita já está escrevendo poesia

Satélite do Projeto Suncatcher, lançado no início de outubro, rodou o modelo Gemma 4 e gerou um haicai sobre estar no espaço — primeiro teste real de um TPU do Google fora da Terra.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: é como ligar o notebook de casa por só 20 minutos de cada vez, porque a energia disponível não dá para mais — só que esse notebook está girando a centenas de quilômetros de altura e fazendo poesia. É o que o Google confirmou nesta sexta-feira sobre o primeiro satélite data center da empresa.

O satélite, batizado de Projeto Suncatcher, foi lançado em 1º de outubro a bordo de uma missão compartilhada da SpaceX, a Transporter-18, em parceria com a Planet Labs PBC, empresa que constrói e opera satélites de observação da Terra. A bordo, quatro TPUs — sigla para Tensor Processing Unit, o chip de inteligência artificial desenvolvido pelo próprio Google — sendo que apenas uma unidade foi usada no primeiro teste real em órbita.

O que está confirmado

Durante uma passagem sobre uma estação terrestre em Svalbard, no arquipélago norueguês, a equipe do Google enviou ao satélite o primeiro comando: pediram ao modelo Gemma 4, da Google DeepMind, laboratório de pesquisa em inteligência artificial do Google, para escrever um haicai sobre estar no espaço. A resposta, gerada a bordo e transmitida de volta à Terra, foi: "Blue marble below / Data streams in silent grace / Starlight feeds my core" — algo como "bola azul abaixo / fluxos de dados em graça silenciosa / luz das estrelas alimenta meu núcleo". Um porta-voz do Google confirmou que o satélite está "operando nominalmente".

A limitação técnica é real: o satélite gera até 1 kW de eletricidade, e isso restringe o TPU a ciclos de operação de no máximo 20 minutos contínuos por vez — bem diferente da energia disponível em um data center terrestre comum.

O que ainda é hipótese

Se esse primeiro TPU provar que é capaz de funcionar de forma confiável em órbita ao longo do tempo, o Google planeja lançar mais dois satélites equipados com chips mais avançados em 2027, que devem suportar maior geração de energia e testar enlaces ópticos entre satélites — ou seja, a comunicação direta entre as unidades sem depender de estações na Terra. Esse próximo passo é o que realmente vai indicar se a ideia de "data centers espaciais" do Google tem viabilidade além de gerar um haicai simbólico, já que resfriamento, energia e banda larga em órbita continuam sendo os maiores desafios técnicos do projeto, segundo analistas do setor.


Atualização (31/10, 00:45): Atualização (31/10/2026): O Google confirmou o próximo passo do Project Suncatcher depois do primeiro haicai escrito em órbita pelo modelo Gemma 4: a partir de 2027, a empresa vai testar a interconexão entre dois satélites equipados com TPUs, simulando como múltiplos nós de um futuro data center espacial se comunicariam entre si. O satélite atual, lançado em 1º de outubro na missão Transporter-18 da SpaceX em parceria com a Planet, continua operando sozinho; o teste de comunicação entre pares de satélites é a próxima etapa anunciada pela companhia para validar a viabilidade de um data center distribuído em órbita.

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