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Smart Cities16 de set. de 2026, 15:16

Primeiro VLT de Nova York vai levar 5 anos para sair do papel e custar US$ 5,5 bi

O Interborough Express vai ligar Brooklyn e Queens sem passar por Manhattan, com 14 milhas de trilhos e conexão a 17 linhas de metrô. Mas metade da conta ainda não tem financiamento garantido.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Toda vez que uma cidade anuncia um trem novo, a primeira pergunta que eu faço é: quem vai pagar e quanto tempo vamos esperar? Em Nova York, a resposta começou a ficar mais clara. A Metropolitan Transportation Authority (MTA), a autoridade que administra metrôs, trens e pontes da região metropolitana de Nova York, avançou o projeto do Interborough Express (IBX), o primeiro VLT (veículo leve sobre trilhos) da cidade, que vai conectar os bairros de Brooklyn e Queens sem passar por Manhattan.

O que está sendo construído

São 14 milhas (cerca de 22,5 km) de trilhos que vão correr ao lado de uma linha de carga já existente, unindo o Brooklyn Army Terminal a Roosevelt Avenue. O traçado vai se conectar a 17 linhas de metrô e à Long Island Rail Road, o que na prática significa que moradores de regiões historicamente mal atendidas por transporte público em Brooklyn e Queens ganham acesso direto a boa parte da malha ferroviária da cidade sem precisar entrar em Manhattan primeiro. A MTA estima 160 mil passageiros por dia quando o serviço entrar em operação — e promete que todas as estações vão seguir as normas de acessibilidade da Lei dos Americanos com Deficiências.

Foto: reprodução/travelerstoday.com

Quanto custa e quem paga

O projeto inteiro está orçado em US$ 5,5 bilhões. Desse total, a governadora Kathy Hochul garantiu US$ 2,75 bilhões no plano de capital 2025-2029 da MTA — ou seja, só metade da conta tem fonte de recursos confirmada. Outros US$ 45 milhões vieram do orçamento estadual do ano fiscal de 2026. O restante depende de financiamento federal, que hoje enfrenta resistência do governo Trump para liberar verbas de trânsito a Nova York, segundo reportagens locais. A gestão Hochul diz que vai buscar outras fontes e que o estado pode complementar se for preciso.

Quando (e se) vai sair do papel

A declaração de impacto ambiental, etapa que avalia os efeitos da obra no entorno, deve ficar pronta até o fim de 2026. A fase de projeto e engenharia segue até 2027, e a construção em si deve levar cerca de cinco anos — o que, segundo o presidente da MTA, Janno Lieber, empurra a operação comercial para 2031 na melhor das hipóteses. Se confirmado, será o primeiro trecho de trânsito rápido construído de ponta a ponta na cidade desde 1937, quase um século depois.

Fica a pergunta que vale para qualquer obra pública de bilhões de dólares, em Nova York ou em qualquer capital brasileira: quem vai fiscalizar se o prazo e o orçamento se sustentam até 2031?

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