
Processo acusa Anthropic de enganar usuários premium do Claude
Ação coletiva reformulada nos EUA diz que os planos Max, de até US$ 200 por mês, prometem multiplicar o uso do Claude em 5x ou 20x, mas entregam bem menos — enquanto a empresa cortou o acesso via assinatura de apps de terceiros como o OpenClaw.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 200 por mês, mas só 3,5x o plano básico
Uma ação coletiva reapresentada em setembro de 2026 na Justiça americana acusa a Anthropic, empresa de inteligência artificial responsável pelo assistente Claude, de enganar assinantes dos planos premium Max sobre a quantidade de uso que eles realmente entregam. O processo, movido originalmente em 15 de junho por Karl Kahn, cliente de Washington D.C., e agora ampliado pelas advogadas Monica Vaca e Kati Daffan — ambas ex-integrantes da FTC, a agência antitruste americana —, mira diretamente o nome dos planos: Max 5x, a US$ 100 mensais, e Max 20x, a US$ 200, prometeriam cinco e vinte vezes o uso do plano Pro básico, de US$ 20. Na prática, segundo a queixa, uma única sessão de cinco horas consumiu 15% da cota semanal de um usuário, ritmo que tornaria matematicamente impossível alcançar o multiplicador anunciado — a entrega real teria ficado em torno de 3,5 vezes o plano de entrada, não cinco.
O histórico que armou a bomba
Foto: reprodução/techcrunch.com
O imbróglio tem raiz em agosto de 2025, quando a Anthropic passou a aplicar limites semanais de uso no Claude Code, a ferramenta de programação por IA da empresa, alegando que menos de 5% dos assinantes seriam afetados. À época, a justificativa era conter power users que rodavam o produto continuamente, 24 horas por dia. O problema, segundo a ação judicial, é que esses limites semanais tornaram opaca a promessa original de multiplicação de uso, e a empresa não teria avisado com clareza sobre as mudanças.
Quem ganha, quem perde
O caso expõe uma contradição na estratégia comercial da Anthropic: enquanto a empresa cobra premium de usuários intensivos prometendo mais capacidade, também fechou a torneira para quem tentava espremer valor da assinatura por outras vias. Em abril de 2026, a companhia bloqueou o uso de frameworks de terceiros, como o OpenClaw, aplicativo de código aberto que transforma modelos de linguagem em agentes autônomos capazes de executar tarefas sem supervisão constante, dentro dos planos de assinatura, argumentando que esses usuários extraíam entre US$ 1.000 e US$ 5.000 em valor de API por apenas US$ 200 pagos. A trava foi parcialmente revertida em maio. Já o plano Max de US$ 200, segundo a própria ação, permite consumir entre US$ 600 e US$ 1.500 em uso equivalente de API. A Anthropic não comentou o processo publicamente. A ação pede indenização, restituição, medidas de urgência e a certificação como ação coletiva em nome de todos os assinantes dos planos Max nos Estados Unidos desde abril de 2025.