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IA23 de out. de 2026, 10:02

Produtividade do dev não é mais sobre código rápido, diz CTO da Alura

Em artigo de opinião, Maurício Aniche, CTO da Alura, defende que agentes de IA estão deslocando o valor do programador de "escrever código" para "orquestrar soluções". Mas pesquisas recentes mostram que esse novo papel vem com um preço: revisão mais pesada e risco de perda de habilidade técnica.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O que diz o CTO da Alura

Imagine um mestre de obras que, em vez de assentar cada tijolo com a própria mão, passa a coordenar uma equipe de robôs pedreiros. Ele continua essencial — só que agora o trabalho dele é outro: decidir onde construir, checar se a fundação é segura, corrigir o que o robô fez torto. É mais ou menos essa a virada que Maurício Aniche, CTO e cofundador da Alura (plataforma brasileira de ensino de tecnologia, uma das maiores do país em cursos de programação), descreve em artigo publicado no Olhar Digital.

Para Aniche, "software nunca foi só código" — sempre envolveu entender o problema do negócio, tomar decisões de arquitetura e garantir qualidade. Com agentes de IA capazes de gerar funções, testes e arquiteturas inteiras em minutos, o trabalho do desenvolvedor estaria migrando "da execução para a orquestração". Em bom português: o valor deixa de estar em digitar rápido e passa a estar em saber o que pedir, como dividir um problema complexo em partes menores e como checar se a entrega está boa. Segundo ele, "a principal habilidade não é pedir para a IA escrever código. É saber guiar agentes, decompor problemas complexos, validar entregas" — e isso, na visão do autor, é uma boa notícia: quem dominar essa colaboração vai ampliar seu impacto, não perder o emprego.

O outro lado da mesa

Mas vale lembrar: é um artigo de opinião, e nem todo dado recente aponta na mesma direção otimista. Um estudo da Universidade Harvard mostrou que empresas que adotaram agentes de IA passaram a produzir 30% mais código — só que sem aumento real na entrega de funcionalidades, e com o tempo entre submissão e integração de código subindo 49%. O motivo? A revisão virou gargalo: a proporção de alterações que precisaram de correção praticamente dobrou.

É como ganhar uma esteira de produção mais rápida numa fábrica, mas descobrir que o controle de qualidade no final da linha não acompanha o ritmo. O Stack Overflow registrou queixa parecida: 45% dos desenvolvedores apontam as soluções "quase certas" da IA como maior frustração, e 66% dizem gastar mais tempo corrigindo esse código do que escrevendo do zero.

Há também um alerta sobre formação: pesquisas citam que o uso intenso de agentes pode enfraquecer a capacidade de depuração e leitura de código justamente de quem mais precisaria dessas habilidades para supervisionar a IA — um paradoxo que merece atenção de quem está formando a próxima geração de programadores, tema sensível para uma empresa de ensino como a Alura.

Produtividade em disputa

No fim, o debate levantado por Aniche é real e está só começando: a régua que mede um bom desenvolvedor está mudando, de fato. A pergunta que fica é se a indústria vai conseguir treinar essa nova habilidade de "orquestração" na mesma velocidade em que distribui os agentes — ou se vamos repetir, em escala, o erro de confundir código gerado rápido com software bem feito.

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