
Professora aposentada é presa em Filadélfia por bloquear robô de entrega
Carolyn Marvin, de 78 anos, diz protestar contra robôs que substituem entregadores humanos; caso expõe o vácuo de regras sobre robôs autônomos nas calçadas dos EUA.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O protesto que virou caso de polícia
Carolyn Marvin, professora aposentada da Universidade da Pensilvânia, de 78 anos, foi presa na região central de Filadélfia depois de bloquear repetidamente o caminho de um robô de entrega da Uber Eats e ignorar pedidos da polícia para liberar a passagem. Ela foi autuada por conduta desordeira, perto do tradicional mercado Reading Terminal Market. Não foi a primeira vez: Marvin já havia confrontado os robôs em setembro, num episódio parecido que circulou nas redes sociais.
Para quem é o cidadão nessa história, a pergunta é direta: o robô tem prioridade na calçada, ou tem a pessoa? Marvin diz que vai contestar a autuação com base na liberdade de expressão garantida pela Constituição americana, argumentando que o protesto é legítimo porque os robôs tiram o emprego de entregadores humanos.
Quem fiscaliza os robôs na calçada
Os robôs envolvidos são operados pela Avride, empresa de robótica que fornece a frota autônoma usada pela Uber Eats em bairros como o Center City de Filadélfia desde março. Eles andam a até 8 km/h, cobrem um raio de 1,6 a 3,2 quilômetros e funcionam por até 12 horas seguidas, guiados por câmeras, sensores e lidar — com uma equipe remota de apoio pronta para intervir. Filadélfia é a quarta cidade dos Estados Unidos a receber o serviço, depois de Austin, Dallas e Jersey City.
O que isso custa e quem decide
A calçada é espaço público, mas a decisão de liberar robôs autônomos nela normalmente passa pela prefeitura, não por votação popular. Filadélfia autorizou a operação da Uber Eats sem debate público amplo sobre o impacto no trabalho de entregadores humanos — o mesmo questionamento que, em outras cidades americanas, já levou vereadores a discutir restrições de horário e área para esses robôs.
O caso de Marvin não resolve a disputa de fundo: só mostra que, quando a regra não está clara, quem acaba decidindo na calçada é a polícia.