
Promotoria de Manhattan derruba 12 sites de deepfake sexual de famosas
Ação classificada como a maior do tipo já feita nos EUA atingiu plataformas que geravam imagens e vídeos sexuais falsos com IA de cerca de 1.200 pessoas sem consentimento.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Promotoria do Distrito de Manhattan, comandada pelo promotor Alvin Bragg, anunciou a apreensão e derrubada de 12 sites que usavam inteligência artificial para criar imagens e vídeos sexuais falsos de pessoas reais, sem consentimento delas. Segundo a promotoria, as plataformas geraram conteúdo "hiper-realista" envolvendo cerca de 1.200 vítimas, descrita como a maior operação desse tipo já realizada nos Estados Unidos.
Em Nova York, é crime compartilhar fotos ou vídeos reais de atos sexuais sem consentimento, e a mesma proibição vale para conteúdo manipulado ou gerado por IA. Foi com base nessa legislação que a promotoria conseguiu apreender os domínios. Bragg afirmou que a ação só foi possível porque uma sobrevivente teve coragem de denunciar o caso ao órgão, e alertou que muitos outros sites com a mesma prática continuam no ar.
Foto: reprodução/manhattanda.org
Quem é afetado
As vítimas identificadas são majoritariamente mulheres, incluindo atrizes, políticos, atletas, músicos, ativistas de causas sociais e influenciadores digitais — ou seja, pessoas com alguma exposição pública, cujas imagens circulam mais na internet e são mais fáceis de usar como base para deepfakes. Mas o problema não fica restrito a celebridades: a lógica de criação desses conteúdos pode ser aplicada a qualquer pessoa que tenha fotos publicadas em redes sociais.
O que fazer agora
- Se você desconfiar que existe conteúdo sexual falso feito com sua imagem, denuncie à polícia e busque orientação jurídica — no Brasil, a Lei Carolina Dieckmann e o Marco Civil da Internet também tratam da divulgação não consentida de imagens íntimas.
- Guarde prints, links e capturas de tela como prova antes de pedir a remoção do conteúdo, pois os sites costumam sair do ar rapidamente após denúncias.
- Solicite a remoção diretamente às plataformas (redes sociais, buscadores) usando os canais de denúncia por conteúdo íntimo não consensual — o Google, por exemplo, tem processo específico para remover esse tipo de resultado de busca.
- Revise a privacidade das suas redes sociais e evite deixar fotos de alta qualidade do rosto totalmente públicas, já que são a matéria-prima mais usada para gerar deepfakes.
- Procure apoio psicológico e jurídico especializado em crimes digitais; organizações de defesa de vítimas de exposição não consensual podem orientar os próximos passos.