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Smart Cities19 de set. de 2026, 11:02

Proprietários de DC pagam US$ 9,3 milhões por combinar aluguel com software

Mid-America Apartments e JBG Smith fecham acordo com o governo de Washington D.C. por usar a plataforma RealPage para inflar preços de aluguel e trocar dados sigilosos entre concorrentes.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quanto custa combinar preço de aluguel com o vizinho concorrente?

Em Washington D.C., a resposta agora tem valor definido: US$ 9,3 milhões. Duas grandes administradoras de imóveis, a Mid-America Apartments (MAA), sediada em Germantown, no Tennessee, e a JBG Smith, sediada em Bethesda, Maryland, fecharam acordo com o Ministério Público do distrito para encerrar um processo que as acusava de usar software de precificação para inflar aluguéis artificialmente.

A ferramenta no centro do caso é da RealPage, empresa de software que analisa dados não públicos de aluguel de diversos proprietários para recomendar preços — e que já é alvo de investigações de precificação abusiva em várias cidades americanas. Segundo o Ministério Público distrital, JBG Smith, MAA e outros 12 proprietários citados na ação original combinavam de compartilhar dados sigilosos entre si e delegavam à RealPage, na prática, a definição dos valores de aluguel, driblando a concorrência direta.

Foto: reprodução/oag.dc.gov

Quem paga e quanto

Do total do acordo, a JBG Smith — dona de cerca de 4.500 apartamentos na capital americana — vai pagar US$ 8,1 milhões. Já a MAA, com 269 unidades na cidade, paga US$ 1,2 milhão. O dinheiro será destinado a penalidades civis, indenização a moradores afetados e custas legais.

Para o procurador-geral do Distrito de Columbia, Brian Schwalb, responsável pela ação: "moradores do distrito enfrentam sérios desafios de acessibilidade habitacional, e mesmo assim alguns dos maiores proprietários residenciais pioraram a situação ao conspirar ilegalmente para elevar artificialmente os aluguéis ainda mais".

Foto: reprodução/hoodline.com

Não é a primeira nem deve ser a última

O acordo se soma a uma lista crescente: a W.C. Smith já havia pago pouco mais de US$ 1 milhão em maio de 2025, e a Avenue5 Residential e a Bell Partners fecharam acordos de US$ 700 mil cada em junho de 2026. Para efeito de comparação com a escala do problema, estudos citados no processo indicam que cerca de 30% dos apartamentos em prédios multifamiliares na região usam precificação via RealPage, chegando a 60% das unidades em edifícios grandes, com 50 ou mais apartamentos.

Além da multa, o acordo impõe restrições concretas: as empresas não podem mais usar softwares de gestão de receita baseados em dados não públicos de outros proprietários, precisam parar de compartilhar informações confidenciais entre si e aceitam a supervisão de um monitor independente caso haja nova denúncia de descumprimento.

Para quem aluga imóvel em qualquer capital — de Brasília a Washington — o caso levanta a mesma pergunta: que outros softwares de precificação estão rodando nos bastidores do mercado imobiliário local, e quem tem acesso aos dados que alimentam esses algoritmos?

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