
Protego Ventures fecha fundo de US$ 125 milhões para defense tech israelense
Fundo é o primeiro e maior dedicado exclusivamente a tecnologia de defesa em Israel, e já teve retorno amplificado pela abertura de capital da fabricante de drones XTEND.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 125 milhões — e a fatia que ninguém quis dividir
A Protego Ventures, que se apresenta como a primeira e maior gestora de venture capital dedicada exclusivamente a defense tech em Israel, fechou seu fundo de estreia em US$ 125 milhões em capital comprometido. O número chama atenção pelo que não é: a meta inicial era US$ 150 milhões, mas a gestora optou por parar antes. Segundo a cofundadora Lital Leshem, "ninguém quer compartilhar o bolo" — a lógica é que um fundo menor amplifica o impacto de um grande sucesso no retorno geral aos investidores.
O "fund maker" já apareceu
Esse sucesso tem nome: XTEND, fabricante de drones e primeira empresa investida pela Protego, estreou na Bolsa de Nova York (NYSE) em setembro de 2026. Com uma aposta já parecendo capaz de devolver o fundo inteiro sozinha — o que o mercado de VC chama de "fund maker" —, levantar mais capital diluiria esse retorno potencial em vez de reforçá-lo. É uma decisão que inverte a lógica usual do setor, em que gestoras normalmente buscam maximizar o tamanho do fundo enquanto há apetite de mercado.
Quem está por trás do dinheiro
A Protego foi fundada por Leshem, com 11 anos de experiência em áreas militares e de inteligência e que já havia fundado uma startup vendida por US$ 625 milhões em 2025, e por Lee Moser, sócia-gerente da AnD Ventures, gestora generalista israelense. Entre os principais investidores do fundo está a Ares Management, gestora global de ativos alternativos, que entrou com US$ 30 milhões como limited partner. O fundo mira cheques de US$ 5 milhões a US$ 15 milhões por empresa, em áreas como inteligência artificial, sistemas não tripulados, robótica e sensoriamento avançado.
Por que o setor está aquecido
A tese da Protego nasceu no rescaldo dos ataques de 7 de outubro de 2023, que reconfiguraram a percepção de risco e investimento em segurança em Israel. O aporte de capital em defense tech bateu recorde no primeiro trimestre de 2026, com o próprio governo israelense também injetando dinheiro em fundos do setor — outras gestoras locais, como Adir Capital e Sling Capital, receberam US$ 33 milhões em recursos públicos. Quem ganha nesse ciclo são fundadores com histórico militar e de inteligência que sabem transformar tecnologia de defesa em produto escalável; quem perde é o investidor generalista que ficou de fora antes de o setor virar consenso.