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CiênciaMercado11 de set. de 2026, 11:13

Proxima Fusion aposta €140 mi em fita supercondutora para reatores

A startup alemã de fusão nuclear quer construir fábrica própria de fita supercondutora de alta temperatura, componente hoje dominado por fornecedores da China e do Japão. O objetivo é reduzir a dependência externa para seu reator baseado em stellarator.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma fábrica inteira só pra um fio

Um reator de fusão comercial vai precisar de dezenas de milhares de quilômetros de um fio supercondutor especial só para gerar os campos magnéticos que contêm o plasma. Para colocar isso em perspectiva: a planta de demonstração da Proxima Fusion, uma startup alemã de fusão nuclear que nasceu em 2023 como spin-off do Instituto Max Planck de Física de Plasma, já vai consumir 20 mil km dessa fita — e uma usina comercial vai precisar do dobro disso.

É por causa dessa demanda que a empresa anunciou nesta quarta-feira planos de construir uma fábrica própria de €140 milhões (cerca de US$ 162,6 milhões) para produzir fita supercondutora de alta temperatura (HTS, na sigla em inglês) em qualidade para fusão.

O que está confirmado

Segundo a Proxima Fusion, o investimento será bancado por uma combinação de recursos públicos e privados, com o estado alemão da Baixa Saxônia contribuindo com €21 milhões. O anúncio vem poucos meses depois de a empresa ter fechado, em julho, uma rodada de €411 milhões — a maior captação já registrada no setor de fusão na Europa.

A fita HTS é o componente que gera os campos magnéticos de alta intensidade necessários para conter o plasma nas temperaturas extremas exigidas pela reação de fusão. Por conseguir produzir campos fortes em temperaturas relativamente mais altas que os supercondutores convencionais, a tecnologia permite projetar reatores menores e mais eficientes — o que é central para o modelo de stellarator que a Proxima está desenvolvendo, baseado nos avanços científicos do experimento Wendelstein 7-X.

Hoje, a fabricação global de fita HTS é dominada por empresas da China e do Japão, o que torna a fábrica própria uma aposta estratégica por independência de fornecimento — um ponto sensível para qualquer país ou empresa que queira escalar fusão nuclear sem depender de cadeias de suprimento asiáticas.

O que ainda é plano, não realidade

A fábrica ainda não existe: o anúncio é de intenção de construção, sem localização exata, cronograma de obras ou data de operação divulgados publicamente até o momento. Também não há garantia de que a tecnologia de stellarator da Proxima chegará à escala comercial — a própria startup projeta uma usina de fusão operacional apenas na década de 2030, um horizonte que depende de avanços ainda não demonstrados em escala industrial. Por ora, o que existe é o plano de investimento e a lógica estratégica por trás dele: reduzir a dependência de fornecedores asiáticos antes que a demanda por fita HTS dispare junto com a corrida global por energia de fusão.

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