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Mercado19 de set. de 2026, 11:03

Pulley, rival da Carta em cap table, anuncia fechamento em dezembro

Depois de sete anos e mais de US$ 50 milhões captados, a startup vai encerrar operações em 8 de dezembro e transferir clientes para a própria concorrente, a Carta.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Sete anos, US$ 50 milhões e um adeus

A conta não fechou para a Pulley, plataforma de gestão de cap table (a tabela que organiza quem é dono de quanto em uma startup) fundada em 2020 pela empreendedora em série Yin Wu, ex-funcionária da Microsoft. A empresa anunciou que vai fechar as portas em 8 de dezembro, encerrando uma disputa direta com a Carta, a maior referência do setor, avaliada em bilhões de dólares e usada por dezenas de milhares de startups no mundo todo.

De concorrente a cliente da rival

Nesses sete anos, a Pulley captou mais de US$ 50 milhões de fundos de peso: General Catalyst (gestora de venture capital que também investiu em Airbnb e Stripe), Stripe (a própria processadora de pagamentos, atuando como investidora) e Founders Fund (fundo cofundado por Peter Thiel). Mesmo com esse naipe de investidores por trás, a companhia não conseguiu construir um negócio sustentável para desafiar a líder do mercado.

O desfecho tem um tempero irônico: a Pulley fechou parceria com a própria Carta para migrar sua base de clientes. Quem usava a Pulley poderá manter o preço atual do plano por um ano na Carta, com crédito proporcional pela parte não utilizada da assinatura.

Quem perde (e por que não foi só a Carta)

Os motivos oficiais do fechamento não foram divulgados pela empresa. Mas um ex-funcionário, em rede social, deu a pista mais interessante do caso: a Pulley talvez nunca tenha competido de verdade com a Carta — competia era com planilhas de Excel e Google Sheets, cada vez mais turbinadas por ferramentas de IA que startups usam para controlar sua própria estrutura societária sem pagar por um software dedicado.

Quem perde mais claramente são os fundadores e funcionários da Pulley, que verão a empresa desaparecer do mapa depois de quase uma década de operação. Quem ganha é a Carta, que absorve uma leva de clientes sem precisar disputá-los na base do desconto agressivo — e sai fortalecida como sinônimo do setor justamente no momento em que rivais menores começam a sentir o aperto de um mercado de venture capital mais seletivo com negócios de nicho.

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