
Qual jogo inventou o gênero de mundo aberto nos games?
A resposta não é um único nome: o mundo aberto nasceu em etapas, do Atari 2600 dos anos 1980 até consolidar a fórmula que hoje sustenta Skyrim e Red Dead Redemption 2.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Quem começou essa história
Se você caiu de para-quedas numa roda de bar gamer e perguntou "qual foi o primeiro jogo de mundo aberto", prepare-se para uma discussão sem fim. Porque a resposta curta é: não teve um só. O conceito foi se formando em camadas, e cada geração de jogos empilhou uma peça nova até a gente chegar nos mapas gigantes que conhecemos hoje.
O tijolo fundamental: Adventure (1980)
O ponto de partida mais citado é Adventure, lançado em 1980 para o Atari 2600. Eram só 30 telas interligadas, com castelos e labirintos espalhados pelo caminho, mas já dava pra explorar sem uma ordem fixa — o jogador decidia por onde ir. Para a época, isso era praticamente ficção científica.
Ultima e Elite entram em cena
No ano seguinte, Ultima I: The First Age of Darkness (1981) trouxe mapas-mundi vastos vistos de cima, que mudavam para primeira pessoa dentro das masmorras — uma pegada bem próxima dos RPGs de mesa que inspiraram o gênero. Já Elite, de 1984, levou a ideia pro espaço: universo gerado proceduralmente, com 8 galáxias pra explorar e liberdade pra escolher o que fazer, de comércio a combate.
Zelda consolida a fórmula
Em 1986, The Legend of Zelda amarrou essas ideias num pacote mais redondo: 128 telas totalmente interconectadas e aquela sensação icônica de liberdade depois que você pegava a primeira espada. É o jogo que a galera da comunidade mais aponta como o momento em que o mundo aberto "virou gênero" de fato, não só uma curiosidade técnica.
De 2D pra 3D, e depois pra escala urbana
O salto grande vem com Shenmue (1999), da Sega, que levou o conceito pro 3D com NPCs que tinham rotina própria e clima dinâmico — Yu Suzuki, aliás, é creditado por ajudar a popularizar o próprio termo "mundo aberto". Dois anos depois, Grand Theft Auto III (2001) explodiu a escala com uma cidade reativa e liberdade total, template que praticamente toda a indústria copiou depois.
E os clássicos modernos
Daí em diante é a linha que todo mundo conhece: Skyrim, com aquele mapa de possibilidades quase infinitas; Red Dead Redemption 2, com um mundo denso e cheio de detalhe; e The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017), que devolveu a liberdade máxima ao jogador décadas depois do primeiro Zelda ter plantado a semente.
No fim das contas, mundo aberto não foi invenção de uma pessoa ou de um estúdio — foi um gênero que se construiu em etapas, com cada jogo emprestando um pedaço da fórmula pro próximo.