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Mercado06 de nov. de 2026, 07:45

Qualcomm aposta em data centers de IA para compensar queda de 20% em celulares

Com a receita de smartphones encolhendo, a fabricante de chips detalhou no balanço do 4º trimestre fiscal de 2026 planos para faturar US$ 15 bilhões com data centers até 2029, apoiada em parcerias com Amazon e Meta.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Vinte por cento de queda muda o foco da Qualcomm

A Qualcomm, fabricante de chips e processadores usados em boa parte dos celulares Android do mundo, viu as vendas de smartphones encolherem cerca de 20% em comparação com 2025. No balanço do quarto trimestre fiscal de 2026, a receita de handsets caiu 26%, para US$ 5,14 bilhões, abaixo do que analistas esperavam. A receita total da companhia no ano fiscal somou US$ 43,1 bilhões, uma queda de 3% em base GAAP. Diante desse cenário, a empresa confirmou em teleconferência com investidores, em 4 de novembro, que vai se apoiar cada vez mais em chips para data centers e outros negócios fora do celular para manter o crescimento.

A corrida por uma fatia do boom de IA

Foto: reprodução/convergedigest.com

A aposta da Qualcomm é alinhada ao movimento geral do setor: o mercado de infraestrutura de inteligência artificial em data centers vem atraindo investimentos pesados de fabricantes de chips que buscam diversificar receita. A empresa projeta receita de data centers acima de US$ 650 milhões já no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 — primeiro período em que a linha passa a ser reportada separadamente dentro da divisão de chips QCT. A meta é chegar a US$ 5 bilhões até o fim do ano fiscal de 2027, com um ritmo anualizado de US$ 7 bilhões na saída do período, e atingir US$ 15 bilhões até 2029. A expectativa da companhia é que data centers cheguem a representar cerca de 30% do negócio no longo prazo. Para comparação, a rival AMD já afirma esperar que mais de 80% de sua receita futura venha de data centers — um indicativo de quão mais avançadas estão outras fabricantes de chips nessa transição.

Quem ganha e quem perde na aposta

As parcerias anunciadas sustentam o otimismo da Qualcomm: a companhia fechou uma colaboração multigeracional com a Amazon, que prevê silício personalizado e conectividade óptica para os data centers da AWS, incluindo warrants que podem cobrir até US$ 60 bilhões em compras ao longo de dez anos. A Meta também entra como cliente, usando o CPU Dragonfly C1000 da Qualcomm. O CEO Cristiano Amon classificou o ano fiscal de 2027 como o início de uma "inflexão" na receita fora do segmento de celulares, com expectativa de crescimento superior a 60% nessa frente — puxado também pelo setor automotivo, que cresceu 89% no trimestre, para quase US$ 2 bilhões, e por IoT, com alta de 4%, para US$ 1,89 bilhão. Quem sai ganhando, por ora, são os negócios diversificados da Qualcomm e parceiros como Amazon e Meta, que garantem fornecimento customizado. Quem perde é o núcleo histórico da empresa: o próprio mercado de smartphones, cada vez menos capaz de sustentar o crescimento isoladamente.

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