
Qualcomm lidera aporte de US$ 70 milhões na Ultrahuman e aposta em anel-computador
A fabricante indiana de anéis inteligentes chega a US$ 365 milhões de valuation com o aporte, que deve financiar um anel movido a chip da Qualcomm capaz de rodar aplicativos próprios.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 70 milhões para transformar anel em computador
A Ultrahuman, startup indiana de anéis inteligentes de saúde, levantou uma rodada de US$ 70 milhões — sendo US$ 65 milhões em equity e US$ 5 milhões em dívida — liderada pela Qualcomm Ventures, braço de investimentos da fabricante de chips para smartphones. O aporte eleva o valuation da empresa para US$ 365 milhões, quase o triplo dos US$ 120 milhões de 2023, e reúne outros nomes como Labcorp, Alpha Wave, Blume Ventures, Nexus Venture Partners e Alteria Capital.
Fundada em 2019 por Mohit Kumar e Vatsal Singhal, a Ultrahuman começou vendendo monitores contínuos de glicose e migrou o foco para anéis inteligentes, hoje sua principal linha de produtos, com um portfólio que também inclui exames de sangue e sensores ambientais. A empresa já vendeu cerca de 800 mil unidades dos anéis e fatura hoje a um ritmo anual de US$ 140 milhões, alta de 45% em relação ao ano anterior — projeção que a companhia espera levar a US$ 200 milhões até janeiro de 2027. Os Estados Unidos respondem por 45% da receita, contra 11% vindos da Índia.
Foto: reprodução/athletechnews.com
Quem ganha: Qualcomm mira uma nova categoria de dispositivo
Para a Qualcomm, negociar espaço na Ultrahuman é uma aposta em transformar o anel de rastreador passivo em uma plataforma de computação de verdade. "Todos os dispositivos de anel hoje são como rastreadores... o objetivo da Ultrahuman é fazer o anel ser mais como um computador, onde programas podem rodar no próprio dispositivo", disse Mohit Kumar, CEO da empresa. Já Quinn Li, executivo da Qualcomm Ventures, resumiu a tese do investimento: "o futuro da IA é pessoal, ambiente e está sempre ligado."
Com o dinheiro, a Ultrahuman planeja desenvolver um anel com chip Qualcomm capaz de funcionar como controle de jogos, chave de carro, interface de IA e dispositivo apontador — funções que hoje dependem de smartphone ou outros aparelhos. A empresa também vai liberar novos recursos de software para os modelos Ring Air e Ring Pro até o fim de setembro e abrir a plataforma para desenvolvedores externos.
Quem fica de fora: apenas 12% pagam pelo software
O desafio de monetização aparece nos números: apenas cerca de 12% dos usuários pagam pelo recurso de assinatura PowerPlugs, o que reforça por que a empresa aposta em expandir funções pagas e hardware mais caro. A Ultrahuman também quer aprofundar presença física na Índia e nos Emirados Árabes Unidos e fechou parceria com a Labcorp, rede de laboratórios clínicos, para pesquisas em saúde cardiovascular, fertilidade e envelhecimento. A meta é buscar lucratividade nos próximos oito trimestres antes de cogitar um IPO, com janela mais próxima estimada para 2028.