
Qualcomm oficializa suporte a Linux nos chips Snapdragon X2
Depois de anos mirando só o Windows, a Qualcomm lançou um Early Developer Preview de Linux para os notebooks com Snapdragon X2, com Debian previsto até o fim de 2026 e Ubuntu certificado em 2027.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Qualcomm muda de postura e abraça o pinguim
Durante anos, quem comprou um notebook com Snapdragon rodando Linux teve que se virar sozinho, com kernels remendados e drivers de terceiros. Isso muda agora: no Snapdragon Summit 2026, realizado no Havaí em 23 de setembro, a Qualcomm anunciou um Early Developer Preview oficial de Linux para a linha Snapdragon X2, a atual geração de chips Arm da empresa para notebooks, que compete diretamente com os processadores Intel Core Ultra e com a linha Apple Silicon (M-series).
Na prática, isso significa que a empresa está construindo suporte no nível do kernel para os componentes mais sensíveis do chip — GPU e NPU —, algo que a comunidade open source vinha pedindo desde o lançamento do primeiro Snapdragon X, em 2023.
O que já funciona (e o que ainda não)
O preview usa um kernel Linux customizado combinado com o Debian 13 como ambiente de testes de referência. A GPU Adreno passa a contar com os drivers Freedreno e Turnip do Mesa, cobrindo OpenGL e Vulkan, além do Rusticl para OpenCL. Já o NPU Hexagon, responsável pelas tarefas de IA local, ganha suporte via projeto FastRPC — o que abre caminho para rodar modelos de IA on-device sem depender da nuvem, algo que a Qualcomm vende como diferencial desde a geração anterior.
O cronograma, no entanto, é gradual: a meta é ter o Debian funcionando de forma estável até o fim de 2026, com a certificação oficial do Ubuntu pela Canonical prevista só para o primeiro semestre de 2027. Ou seja, quem quiser rodar Linux "de fábrica" em um notebook Snapdragon X2 ainda vai precisar esperar alguns meses — e contar com fabricantes dispostos a embarcar essa opção.
Fabricantes já assumiram compromisso
HP, Asus e Humain confirmaram planos de suporte oficial a Linux em seus notebooks com Snapdragon X2 no primeiro semestre de 2027. A Asus já sinalizou os modelos Zenbook A14 e Zenbook A16 como candidatos a receber Ubuntu certificado.
O movimento reforça que a aposta da Qualcomm no Arm para PCs deixou de ser só uma tentativa de furar o duopólio Intel/AMD no Windows — agora também mira o nicho de desenvolvedores e entusiastas de Linux, historicamente mal atendido em hardware Arm de consumo.
Vale o preço no Brasil?
Por aqui, notebooks com Snapdragon X2 ainda são raros nas prateleiras e costumam chegar com preço de importado. Enquanto o suporte a Linux não sai do estágio de preview e a certificação Ubuntu não chega em definitivo, o público que mais se beneficia por enquanto é o de desenvolvedores testando a plataforma — não o consumidor final. Se a promessa de 2027 se confirmar, aí sim vale reabrir a conta: um notebook Arm rodando Linux nativo, com boa autonomia de bateria e IA local, pode finalmente justificar o preço mais salgado frente a alternativas x86.