
Qualcomm vence Arm na Justiça, mas indenização é de só US$ 2
Júri reconheceu que a Arm quebrou contrato e interferiu em negociação de chips da Qualcomm com a Meta, mas fixou indenização nominal de US$ 1 por acusação.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 2 é o valor da vitória
A Qualcomm venceu um processo contra a Arm Holdings, projetista britânica de arquiteturas de chips usadas em cerca de 99% dos smartphones do mundo e licenciada por empresas como Apple, Samsung e a própria Qualcomm, mas o prêmio pela vitória não poderia ser mais simbólico: US$ 2, sendo US$ 1 para cada uma das duas acusações em que o júri considerou a Arm culpada. O julgamento, conduzido em um tribunal federal de Wilmington, no estado americano de Delaware, durou cinco dias.
O que o júri decidiu
Os jurados concluíram que a Arm violou o Acordo de Licença de Arquitetura (ALA, na sigla em inglês) mantido com a Qualcomm e também interferiu indevidamente na relação comercial da fabricante de chips americana com a Meta. Segundo a Qualcomm, a Arm reteve informações técnicas — incluindo patches de software necessários para os projetos de chip — violando obrigações contratuais, e esse comportamento teria contribuído para o fracasso de uma venda de US$ 170 milhões em chips à Meta. A empresa também acusa a Arm de ter violado estruturas de preços e de ter vazado uma carta de aviso sobre rescisão de licença.
Por outro lado, o júri rejeitou outras reclamações da Qualcomm, incluindo a alegação de que a Arm deveria ter oferecido condições comerciais dentro de 10% do melhor acordo já firmado por ela com outro cliente.
Quem sai ganhando
Apesar do valor simbólico da indenização, as duas empresas declararam vitória. A Qualcomm destacou que o júri confirmou formalmente que a Arm descumpriu o contrato e prejudicou negócios da companhia. Já a Arm ressaltou que venceu quatro das acusações apresentadas pela Qualcomm e que a indenização mínima validaria sua defesa.
O caso é o segundo embate judicial entre as duas empresas em dois anos — a disputa anterior girou em torno da aquisição da Nuvia pela Qualcomm e terminou, em 2025, com vitória da Qualcomm também naquele processo. A rivalidade entre as companhias reflete a crescente tensão no mercado de licenciamento de arquiteturas de chip, essencial para fabricantes de processadores em smartphones, PCs e data centers.