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IACiência27 de ago. de 2026, 19:22

Quanto a IA realmente pesa no consumo de água?

Data centers de IA consumiram 66 bilhões de litros de água só para resfriamento em 2023 nos EUA, mas o impacto real depende muito de onde essas instalações são construídas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: quanto é 66 bilhões de litros?

É menos de 1% de todo o consumo de água dos Estados Unidos — mas também é o suficiente para abastecer milhões de residências por um ano. Segundo levantamento publicado pela Knowable Magazine, foi esse o volume usado só pelos sistemas de resfriamento de data centers americanos em 2023. O número parece pequeno na conta nacional. O problema é que ele não está distribuído de forma uniforme.

O que já está confirmado

Pesquisadores ouvidos pela reportagem concordam em um ponto: o consumo de água por data centers, incluindo os dedicados a IA, é hoje muito menor do que o da agricultura ou de boa parte da manufatura industrial. Essa é a base factual do debate, e ninguém discorda dela.

O que muda o cálculo é a velocidade da expansão. Com a corrida por capacidade de processamento para treinar e rodar modelos de IA, o número de instalações está crescendo rápido — e em lugares que nem sempre têm água sobrando. É aí que mora a controvérsia.

Onde entra a hipótese — e a preocupação real

Em regiões com fartura de água, mais um data center não deve fazer muita diferença. Mas em áreas já estressadas por seca, como Novo México e Arizona, nos EUA, o cálculo é outro: cada litro retirado para resfriar servidores compete diretamente com uso doméstico e agrícola local. É por isso que moradores dessas regiões têm protestado contra a instalação de novos complexos de data centers, segundo a apuração.

Em bom português: por que isso divide opiniões

A discórdia não é sobre o número absoluto — é sobre onde ele pesa. Especialistas citados apontam que a localização estratégica das instalações, somada a avanços em tecnologias de resfriamento, poderia reduzir a pegada hídrica futura da IA em até 86%. Data centers mais novos, voltados especificamente para cargas de IA, já são mais eficientes em água do que a geração anterior.

O que ainda não sabemos

Projeções para 2030 variam bastante — de centenas de bilhões a mais de 1 trilhão de litros anuais só nos EUA, dependendo do ritmo de expansão da infraestrutura de IA. Não há ainda regulação uniforme que obrigue as empresas de tecnologia a divulgar dados hídricos por instalação, o que dificulta um diagnóstico público mais preciso do problema.

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