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Ciência23 de ago. de 2026, 23:05

Quanto custa ir à Lua? A conta caiu 100 vezes desde a Apollo

Dados de custo mostram que o modelo comercial da Nasa reduziu drasticamente o preço de uma missão lunar em relação à era Apollo — mas a economia vem com mais risco de fracasso.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: bancar uma missão à Lua no modelo Apollo, dos anos 1960, equivaleria hoje a gastar quase 340 bilhões de dólares em um único programa — valor suficiente para financiar décadas de exploração espacial em qualquer outro formato atual. É essa comparação que dá o tom da coluna Olhar Espacial, do Olhar Digital, publicada nesta sexta-feira (21): afinal, dá para voltar à Lua gastando muito menos?

O que está confirmado

Os números documentados mostram uma queda de custo real. Segundo levantamento da Planetary Society, feito a partir de documentos orçamentários históricos da Nasa, o programa Apollo consumiu 25,8 bilhões de dólares entre 1960 e 1973 — o equivalente a 309 bilhões de dólares em valores corrigidos para 2025, ou 338 bilhões somando programas correlatos.

Já o modelo atual da Nasa, o CLPS (Commercial Lunar Payload Services), que paga empresas privadas para entregar cargas na superfície lunar em vez de construir a missão inteira internamente, tem teto combinado de 2,6 bilhões de dólares para todos os contratos até 2028, segundo dados compilados pelo site especializado Payload. Individualmente, contratos padrão do CLPS giram em torno de 100 milhões de dólares por missão — a Intuitive Machines recebeu 118 milhões pela IM-1, e a Índia gastou cerca de 75 milhões de dólares na Chandrayaan-3, que pousou perto do polo sul lunar em 2023. Na prática, o programa inteiro de acesso comercial à Lua custa hoje uma fração pequena do que a Apollo consumiu seis décadas atrás, mesmo sem corrigir a inflação.

O que é estratégia, não garantia

O que ainda é aposta, não fato consumado, é se esse modelo mais barato entrega resultado confiável. O histórico do CLPS já registrou perdas: a Nasa contabilizou prejuízo de 66,1 milhões de dólares num contrato com a Masten Space Systems, que faliu antes de lançar sua sonda, e a Peregrine, da Astrobotic, teve vazamento de combustível e nunca chegou à Lua. Baratear o acesso lunar, nesse modelo, também significa aceitar mais risco técnico — um trade-off que ainda não tem estatística de sucesso consolidada, mesmo com pousos confirmados, como o da Blue Ghost, da Firefly.

O debate sobre economizar na ida à Lua ganha peso justamente agora que a disputa entre potências volta a esquentar, com a China lançando a Chang'e-7 nesta segunda-feira (24) e os Estados Unidos avançando nas etapas tripuladas do programa Artemis. A pergunta deixa de ser só técnica e passa a ser econômica: quem vai pagar a conta da próxima Lua — e quanto ela vai custar de verdade?

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