
Quase 80% dos estudantes brasileiros já usam IA para estudar, mas com ressalvas
Pesquisa da Opera com mais de 2.400 estudantes mostra que 78% já incorporaram a inteligência artificial à rotina de estudos, mas boa parte ainda desconfia da precisão das respostas.
Por Marina Sato · Repórter de IA
78% dos estudantes já usam IA nos estudos
Quase 80% dos estudantes brasileiros usam inteligência artificial para estudar. O número vem de uma pesquisa da Opera com mais de 2.400 alunos de instituições públicas e privadas, com idades entre 14 e 35 anos ou mais. A coleta foi feita entre 17 de abril e 5 de junho de 2026, por formulário on-line distribuído a usuários do navegador Opera.
Entre os que usam a tecnologia, 15% recorrem a ela sempre que estudam. No outro extremo, 22% dizem nunca ter usado IA em atividades acadêmicas. Um dado chama atenção: 34% dos estudantes já iniciam suas pesquisas diretamente em ferramentas de IA, ou as consultam antes de abrir um buscador tradicional.
Foto: reprodução/bahianoticias.com.br
O "pé atrás" com a qualidade das respostas
O uso maciço não significa confiança cega. A pesquisa aponta que 52% dos estudantes citam a precisão das informações como o principal ponto a melhorar nas ferramentas de IA. Os sentimentos em relação à tecnologia também são mistos: 47% dizem sentir alívio por ter esse apoio nos estudos, enquanto 31% se preocupam com o próprio aprendizado e outros 31% temem impactos negativos no futuro profissional.
No uso prático de trabalhos acadêmicos, 16% recorrem a assistentes de IA com frequência, 31% usam ocasionalmente, 31% tratam o conteúdo gerado como rascunho para reescrever depois, e 22% preferem produzir tudo sem ajuda.
Escolas ainda não deram orientação
A pesquisa também escancara um vácuo institucional. Segundo o levantamento, 40% dos estudantes afirmam que suas escolas ou universidades nunca deram qualquer orientação sobre uso de IA. Apenas 5% receberam treinamento formal, 32% tiveram orientações informais de professores, 20% seguem políticas internas claras e 9% estudam sob proibição expressa da tecnologia.
O que ainda falta responder
Os números mostram adoção rápida e desconfiança simultânea, mas a pesquisa não detalha quais ferramentas de IA são mais usadas, nem compara desempenho entre quem usa IA com orientação e quem usa sem nenhum direcionamento. Também não fica claro se essa desconfiança dos 52% se traduz, na prática, em checagem ativa das respostas ou apenas em uma percepção geral de risco. São perguntas que pesquisas futuras — e as próprias instituições de ensino — ainda precisam responder.