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Smart CitiesIA10 de set. de 2026, 21:29

Quase 90% quer saber quando a prefeitura usa IA, mostra pesquisa nos EUA

Levantamento da PayIt, empresa americana de plataformas de pagamento para governos, mostra que moradores toleram bem a IA em serviços públicos — desde que seja avisado quando ela está sendo usada.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Toda vez que ligo para resolver um problema com o município e caio num chatbot, minha primeira pergunta é: isso aqui é IA? E, pelo visto, não sou só eu que penso assim.

O que a pesquisa mediu

A PayIt, empresa americana de plataformas digitais de pagamento para governos — fundada em 2013 em Kansas City e usada por mais de 150 milhões de moradores na América do Norte — ouviu 815 adultos dos Estados Unidos que fizeram alguma transação online com governo estadual ou municipal nos últimos 18 meses. A pesquisa é de julho e foi divulgada em 9 de setembro.

Os números que interessam ao cidadão

Quase 90% dos entrevistados disseram que os governos locais deveriam sempre avisar quando estão usando IA nos serviços — esse é o dado que eu destacaria em qualquer manchete. Sobre conforto geral com IA no governo, 53% se disseram confortáveis ou muito confortáveis (ante 50% no ano anterior), enquanto 47% ficaram desconfortáveis ou muito desconfortáveis (ante 50%). Ou seja: a balança está praticamente empatada, mas melhorando aos poucos.

Um detalhe interessante: quando a pesquisa parou de perguntar sobre "IA" de forma abstrata e citou usos concretos, o conforto subiu quase sempre. Cerca de 65% aprovam IA respondendo dúvidas sobre serviços públicos, perto de 60% aceitam ajuda de IA para pagar contas ou tirar licenças, e 54% toleram IA resolvendo reclamações. Já a avaliação de elegibilidade para benefícios sociais feita por IA incomoda 51% dos ouvidos — a régua de confiança cai bastante quando o resultado pode negar um direito.

Quem está usando e quem fiscaliza

Segundo o mesmo material, cerca de 65% dos governos estaduais e locais nos EUA ainda estão em fase de planejamento para adotar IA em serviços ao público, e 26% já usam alguma ferramenta. A pesquisa não detalha quem audita esses sistemas depois de implantados — e essa é justamente a lacuna que mais me preocupa: comfort do usuário é uma coisa, supervisão técnica independente é outra bem diferente.

E as prefeituras brasileiras?

No Brasil, levantamentos apontam que cerca de uma em cada dez prefeituras já usa inteligência artificial, com destaque para São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Vitória, Brasília e São Caetano do Sul. Só que outro estudo mapeou chatbots em 26 órgãos de 53 governos estaduais e municipais e achou que apenas 24% das conversas testadas deram respostas adequadas — ou seja, antes de discutir transparência sobre o uso de IA, talvez a gente devesse discutir se ela está funcionando direito. O Projeto de Lei 2338/23, ainda em tramitação, promete exigir transparência algorítmica proporcional ao risco de cada uso. Fica a pergunta: vai pegar antes ou depois de todo mundo já estar usando?

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