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GamesIA06 de out. de 2026, 21:32

Quase metade dos brasileiros teme perder emprego para IA nos games

A Pesquisa Game Brasil 2026 ouviu 7.115 pessoas: 45,7% temem a precarização do trabalho criativo com IA, mas quase 4 em cada 10 ainda comprariam um jogo feito com a tecnologia.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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O número que resume o clima da comunidade

45,7% dos jogadores brasileiros temem que a inteligência artificial precarize o trabalho criativo na indústria de games — perda de emprego, jogos feitos mais rápido e mais barato às custas de quem desenha, escreve e dubla. É o principal medo apontado pela 13ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB), que ouviu 7.115 pessoas de 16 a 55 anos.

Os outros dois medos que aparecem na lista

Em segundo lugar, com 39,6%, vem a preocupação com uso indevido do trabalho de artistas — basicamente, a desconfiança de que modelos de IA foram treinados em cima de obras de gente que nunca autorizou nem foi paga por isso. Na terceira posição, 38,4% dos jogadores temem uma queda geral na qualidade: jogos "sem alma", feitos para cumprir calendário de lançamento em vez de contar uma boa história.

Mas o jogador também é pragmático

Aqui está o detalhe que costuma passar batido: apesar do medo, a rejeição não é automática. 39,3% dos entrevistados disseram que comprariam um jogo mesmo sabendo que arte, dublagem e texto foram feitos com IA, e outros 40,9% talvez comprassem. Ou seja: pra boa parte da comunidade, a pergunta não é "tem IA ou não tem" — é "ficou bom ou não ficou".

O que isso significa pra quem joga

Dá pra ler isso como o jogador brasileiro cobrando transparência, não proibição. Quem desenvolve e quer usar IA no processo criativo — e cada vez mais estúdios grandes usam, de um jeito ou de outro — vai precisar decidir se avisa o consumidor disso na caixa do jogo ou na loja, porque o público já deixou claro que presta atenção em como a ferramenta foi usada, não só no fato de ela existir.

O que a pesquisa não respondeu

A PGB não perguntou diretamente se o jogador mudaria de ideia ao saber que um estúdio demitiu parte da equipe de arte para substituir por IA — distinção que pesa bem mais do que só "é feito com IA ou não", e que separaria melhor quem teme perder o emprego de quem só está de olho na qualidade final do jogo.

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