tech & talk
Mercado20 de out. de 2026, 19:05

Quatro teles europeias fecham aliança de 25% cada contra a Starlink

Telefónica, Deutsche Telekom, Orange e Vodafone assinam carta de intenções para disputar juntas o leilão europeu de conectividade direta via satélite, com fatia igual de 25% cada uma no consórcio.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

25% para cada uma, e nenhuma sozinha contra a Starlink

O número que define o movimento é a divisão: quatro operadoras, 25% de participação cada uma, em igualdade de condições. Telefónica, Deutsche Telekom (controladora da T-Mobile), Orange e Vodafone — todas operadoras de telecomunicações europeias de peso continental — assinaram uma carta de intenções para apresentar proposta conjunta no leilão europeu de espectro para serviços móveis por satélite. A decisão final sai em Bruxelas na primavera de 2027, mas o recado já está dado: sozinha, nenhuma delas tem escala para brigar com a SpaceX.

A escala que assusta: mais de 10 mil satélites

Foto: reprodução/moncloa.com

Aqui está o múltiplo que importa. A Starlink, da SpaceX, opera mais de 10 mil satélites e é hoje a única operadora ocidental com capacidade real de oferecer conectividade direta ao celular em massa — a tal tecnologia direct-to-device (D2D), que dispensa antena terrestre convencional. As quatro europeias, juntas, não entram nesse jogo sozinhas: o plano é bancar a infraestrutura terrestre, a capacidade de rede e os canais de venda, enquanto um parceiro industrial ainda não confirmado oficialmente constrói e opera a constelação de satélites. A americana AST SpaceMobile aparece como favorita nos bastidores.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha, no curto prazo, é a soberania europeia em telecomunicações — o movimento se encaixa diretamente no apetite da União Europeia por depender menos de tecnologia americana, com a Comissão Europeia já exigindo acesso atacadista aberto e não discriminatório para operadores de fora do consórcio, travando qualquer tentação de oligopólio fechado. Quem perde, por ora, é a verticalização: nenhuma das quatro teles vai construir satélite próprio, o que mantém a dependência de um parceiro externo. A Starlink, por sua vez, segue na dianteira operacional enquanto a Europa ainda negocia papel.

O que muda para quem está fora da Europa

Para o mercado brasileiro, o episódio importa como termômetro: é o mesmo tipo de movimento que a AT&T, a T-Mobile e a Verizon já fizeram nos Estados Unidos para expandir conectividade rural via satélite, e mostra que a corrida por D2D deixou de ser nicho tecnológico para virar disputa geopolítica de infraestrutura. Operadoras locais devem observar de perto quem vence esse leilão — o parceiro de satélite escolhido pelo bloco europeu tende a bater à porta de outros mercados depois.

starlinksatélitetelecomeuropad2d
Compartilhar