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Mercado23 de set. de 2026, 20:56

R2 da Rivian corta pela metade emissões e bate meta 4 anos antes

A Rivian anunciou que o R2, seu SUV mais barato, reduziu em 50% a pegada de carbono no ciclo de vida frente ao R1S — cumprindo meta que só valia para 2030. A montadora usa energia renovável na fábrica e materiais reciclados no interior do carro.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: metade do carbono, quatro anos antes

A Rivian, montadora americana de veículos elétricos ainda deficitária mas apostando em escala, anunciou que o R2, seu SUV de entrada, emite 211 gramas de CO2 equivalente por milha ao longo do ciclo de vida — 50% a menos que o R1S Launch Edition, o topo de linha mais caro da marca. A conta considera 200 mil milhas rodadas em dez anos e cumpre uma meta que a própria empresa só previa bater em 2030. Chegou quatro anos adiantada.

A comparação também favorece o R2 diante de um carro a combustão equivalente: são 58% menos emissões ao longo da vida útil do veículo. O relatório que sustenta os números, batizado de "R2 Circularity, Energy, & Carbon Footprint", é o primeiro do setor a adotar o novo padrão de divulgação J3341 da SAE International, entidade que define normas técnicas para a indústria automotiva.

Foto: reprodução/rivian.com

Como a conta fecha

A redução vem de uma combinação de fatores: aerodinâmica mais eficiente, carroceria mais leve, propulsão otimizada e escolha de materiais duráveis. O R2 é composto por 25% de materiais reciclados ou de base biológica em massa — os tapetes usam 99% de resíduo de plástico oceânico, os tecidos do interior aproveitam sobras da indústria de papel nórdica, e o porta-malas frontal e os acabamentos internos chegam a 85% de material pós-consumo reciclado. A Rivian também mantém o compromisso de compensar as primeiras 10 mil milhas de cada veículo entregue com energia renovável.

Quem ganha com isso

O R2 é a aposta da Rivian para sair do nicho de picapes e SUVs de luxo e disputar volume: as entregas começaram na primavera americana de 2026, com o R2 Performance com Pacote de Lançamento saindo por US$ 57.990 e a versão Premium por US$ 53.990. Uma variante de entrada, próxima de US$ 45 mil, só chega no fim de 2027. Para a empresa, que projeta pular de cerca de 42 mil veículos entregues em 2025 para algo entre 62 mil e 70 mil em 2026, o discurso ambiental reforça o apelo de um carro mais barato sem abrir mão da identidade sustentável que a Rivian vende desde o R1.

Quem sai perdendo, ao menos na narrativa, é a concorrência que ainda não publicou dados comparáveis de ciclo de vida sob o novo padrão da SAE — o que deixa a Rivian, por ora, definindo os termos do debate sobre pegada de carbono no setor de elétricos.

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