
RadianX promete dispositivo que nunca precisa ser carregado
Startup de Redwood City levanta US$ 9 milhões para produzir painéis de perovskita que, segundo a empresa, captam luz interna e externa e podem manter sensores e wearables funcionando indefinidamente.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 9 milhões para acabar com o carregador
São US$ 9 milhões o número que resume a aposta por trás da RadianX, startup pouco conhecida do público brasileiro que promete painéis solares de perovskita capazes de manter dispositivos funcionando sem recarga. O pacote combina uma rodada seed de US$ 5 milhões, liderada por SOSV e Twynam, com US$ 4 milhões em investimento não-diluído da Pacific Union Technology Precision Manufacturing (PUT), destinados a montar uma linha de produção dedicada.
A lista de investidores também inclui One Small Planet, Sachsen Ventures, Avila VC, California Innovation Fund, quantumEDGE, Riceberg Ventures e Alumni Ventures — um pelotão de fundos de nicho em clima e hardware, não os grandes nomes do Vale do Silício. É o tipo de composição que sinaliza aposta em tecnologia profunda, de ciclo mais longo, e não em crescimento rápido de usuários.
A promessa técnica
Segundo a RadianX, sediada em Redwood City, Califórnia, o material desenvolvido pela empresa pertence à família das perovskitas e equivale aos painéis solares tradicionais em ambientes externos, mas é duas vezes mais eficiente para captar luz interna. A CEO e cofundadora Vivian Qu resume a aposta dizendo que o motivo pelo qual as perovskitas são tão interessantes é a alta densidade de potência. Já o cofundador e COO Josh Douglas descreve o objetivo final: colher qualquer tipo de fóton, seja externo ou interno, mantendo o dispositivo funcionando mais tempo — ou indefinidamente.
Os números técnicos divulgados mostram um módulo de 1,2 por 0,6 metro com eficiência recorde de 22,33%, espessura de até 0,7 milímetro e potência de até 250 W/m². A empresa diz ainda ter certificação TÜV sob a norma IEC TS 63163 em todas as categorias, incluindo a de maior exposição outdoor, além de aprovação nos testes europeus REACH e RoHS.
Quem ganha e quem ainda não é cliente
A RadianX mira e-readers, sensores de IoT, robôs de longa autonomia e wearables como mercados-alvo. Entre as parcerias já anunciadas estão a participação no Amazon Devices Climate Tech Accelerator, via Plug and Play, e uma colaboração com a japonesa NGK Corporation para combinar os módulos solares com as baterias EnerCera em rastreadores sem fio. A empresa também contratou Gary Chen, ex-CEO da Sunspark, como VP de Manufatura e Produto.
Vale o alerta: trata-se de uma promessa de startup em fase de produção inicial — a linha automatizada citada tem capacidade de 6MW — e não de um produto validado em escala no mercado de consumo. Quem ganha, por ora, são os fabricantes de nicho em IoT e wearables que topam apostar em fornecedor novo; quem ainda espera são os consumidores finais, sem data de lançamento de dispositivo citada pela empresa.