
RAM de dez anos atrás está voltando porque a atual ficou cara demais
Intel e AMD estão trazendo de volta o suporte a módulos DDR4 em processadores novos para aliviar o bolso de quem quer upgrade de PC sem pagar o preço salgado do DDR5. A Gigabyte já anunciou placas-mãe compatíveis.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Quando a memória velha volta a fazer sentido
O preço da memória RAM subiu tanto que fabricantes de processador estão fazendo algo que pouca gente esperava em 2026: trazendo de volta o suporte a DDR4, padrão lançado em 2014 e considerado ultrapassado desde a chegada do DDR5. Segundo reportagem do site americano The Verge, Intel e AMD notaram que a alta nos preços da RAM está dificultando upgrades de PC, e a resposta das duas foi permitir que processadores novos voltem a aceitar memória DDR4, mais antiga e mais barata.
A diferença de preço explica o movimento: um kit Corsair Vengeance de 32 GB em DDR5 custa US$ 620, enquanto o equivalente em DDR4 sai por US$ 260 — menos da metade. Com o DDR5 projetado para continuar caro por mais tempo, voltar ao DDR4 virou alternativa viável para quem só quer trocar o processador sem precisar comprar memória nova e cara.
O anúncio da Gigabyte
Na sexta-feira, a fabricante taiwanesa de placas-mãe Gigabyte anunciou que duas de suas linhas de placas vão suportar os próximos processadores da Intel baseados no soquete LGA 1700 — o mesmo usado desde a 12ª geração Core, a Alder Lake, lançada em 2021. Esse soquete já aceitava DDR4 e DDR5 originalmente, mas a Intel passou a adotar uma estratégia só-DDR5 a partir de 2024. Agora, novos chips LGA 1700 com suporte a DDR4 e DDR5 devem chegar ao mercado no início de 2027. A Gigabyte também lançou novas placas-mãe para a plataforma AM4 da AMD, compatível com DDR4, reforçando o relançamento do Ryzen 7 5800X3D anunciado em agosto para celebrar os dez anos do soquete.
DDR4 x DDR5: geração antiga, vantagem nova
O DDR5 é mais rápido e eficiente energeticamente que o DDR4, e por isso virou padrão em máquinas novas nos últimos anos. Mas a escassez recente inverteu a lógica de custo: hoje, ficar na geração anterior pode ser a forma mais barata de ganhar desempenho sem comprometer o orçamento inteiro no upgrade.
O que isso significa para o preço de PC no Brasil
Componentes de PC no Brasil seguem o dólar e a disponibilidade internacional de chips, então uma alta global de RAM tende a chegar por aqui com atraso, mas chega. Se fabricantes vão ampliar a oferta de placas e processadores compatíveis com DDR4, consumidores brasileiros que já têm memória DDR4 em casa podem economizar justamente ao evitar a troca completa de plataforma — pulando a parte mais cara do upgrade.