
Raspberry Pi sobe preço de novo, agora nas versões de 2 GB
Pi 4 e Pi 5 de 2 GB sobem US$ 12,50 cada, numa escalada de reajustes que começou no fim de 2025 por causa da crise global de memória RAM.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O reajuste, em números
A Raspberry Pi, fabricante britânica de computadores de placa única mais conhecida por seus minicomputadores usados em projetos de hobby e educação, anunciou mais um aumento de preço — o quarto desde o fim de 2025. Dessa vez, a mira foi nas versões de 2 GB de RAM do Raspberry Pi 4 e do Raspberry Pi 5, que sobem US$ 12,50 cada: o Pi 4 2GB vai de US$ 55 para US$ 67,50, e o Pi 5 2GB sai de US$ 65 para US$ 77,50.
Comparando com a geração de preços que a gente conhecia até o ano passado, a escalada é expressiva. Em dezembro de 2025, por exemplo, o Pi 5 2GB custava US$ 55; ou seja, em menos de um ano, o mesmo modelo acumulou um aumento de US$ 22,50 — quase 41% de alta. Eben Upton, cofundador da empresa, explicou que, na rodada de abril deste ano, a Raspberry Pi tinha conseguido blindar justamente as versões de 1 GB e 2 GB dos aumentos, mas isso "se tornou insustentável".
A raiz do problema: falta de memória no mundo todo
O motivo por trás da escalada é a crise global de memória DRAM e NAND, puxada pela demanda de data centers de inteligência artificial por chips de memória — o que encareceu componentes básicos para praticamente toda a indústria de eletrônicos, de PCs a consoles. Segundo Upton, o custo da memória "subiu de forma muito acentuada nos últimos dois anos e continua aumentando", obrigando a empresa a repassar o impacto aos produtos mais simples da linha, que antes ficavam de fora dos reajustes.
A boa notícia, se é que existe uma, é que os modelos mais antigos — Pi Zero, Zero 2 e a linha Pi 3 — não foram afetados, porque usam memória LPDDR2 mais antiga, da qual a empresa ainda tem estoque relevante. Upton também recomenda que quem está começando um projeto novo avalie se esses modelos mais baratos não resolvem o problema, já que ficaram de fora da onda de aumentos.
Vale o preço no Brasil?
No Brasil, onde o Raspberry Pi já chega com sobretaxa de importação e conversão de câmbio, cada reajuste em dólar se multiplica na ponta final. Um Pi 5 2GB que já nasceu caro por aqui fica ainda mais difícil de justificar para hobbistas e makers que usam a placa em projetos pessoais. A promessa da empresa é reverter os preços quando o mercado de memória normalizar — mas, enquanto isso não acontece, vale a pena pagar o preço do Pi no Brasil, ou é hora de procurar alternativas mais baratas de placa única?