
Reach Capital capta US$ 265 milhões no Fund V para apostar em IA
A gestora de venture capital fechou o quinto fundo com US$ 265 milhões, superdemandado, para investir em startups de IA voltadas a aprendizado, saúde e trabalho.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 265 milhões: o novo cheque da Reach Capital para apostar em IA
A Reach Capital anunciou nesta terça-feira o fechamento do Fund V, um veículo de US$ 265 milhões que ficou superdemandado (oversubscribed) e levou menos de seis meses para ser captado. É o maior fundo já levantado pela gestora de São Francisco em seus 11 anos de história — e mais um sinal de que investidores institucionais seguem dispostos a colocar dinheiro em teses de IA aplicada, mesmo fora do eixo das big techs.
A progressão que mostra o apetite dos LPs
O tamanho do novo fundo não é acidental: ele representa um salto de 23% sobre o Fund IV, de US$ 215 milhões, fechado em 2023, e é 60% maior que o Fund III, de US$ 165 milhões, captado em 2021. Segundo Jomayra Herrera, general partner da Reach, "a vasta maioria dos nossos LPs dobrou a aposta, e trouxemos alguns novos LPs de peso" — entre eles Capricorn Investment Group, Los Angeles Fire and Police Pensions, LEGO Foundation e College Board, que se somam à base já existente de investidores institucionais.
Onde o dinheiro vai entrar
A tese do Fund V mira fundadores que constroem aplicações de IA para "expandir o potencial humano" — a leitura da gestora é que a inteligência artificial deve servir ao florescimento humano, não substituí-lo. Na prática, os cheques, de US$ 1 milhão a US$ 10 milhões, vão de pre-seed a Series A, e a meta é financiar cerca de 50 empresas em três anos, concentradas em três frentes: aprendizado, saúde e trabalho — a mesma área em que a gestora já apostou em nomes como Replit, ClassDojo e Coral Care.
Quem já validou a tese
O portfólio recente ajuda a explicar o apetite dos LPs: a Reach teve uma saída em junho deste ano com a GPTZero, adquirida pela combinação Superhuman/Grammarly. É o tipo de prova de conceito que fundos de nicho como a Reach — historicamente identificada com edtech — precisam para justificar rodadas cada vez maiores em um mercado de venture capital ainda concentrado em poucas gestoras generalistas de IA.
Quem ganha e quem fica de fora
Ganham as startups em estágio inicial de IA aplicada a educação, saúde e produtividade, que passam a ter um pool maior de capital paciente e especializado disputando suas rodadas — o que tende a pressionar valuations para cima nesse nicho específico. Fica de fora, por ora, quem busca teses de IA generalista ou infraestrutura pesada, fora do recorte de "potencial humano" que a gestora diz priorizar.