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Smart CitiesMercado24 de ago. de 2026, 19:21

Recarga elétrica no Brasil chega a 25,4 mil pontos, mas ainda falta rede

Levantamento da ABVE com a Tupi Mobilidade mostra rede de recarga crescendo 20,9% em três meses, enquanto BYD promete carregador que recupera bateria em 5 minutos até 2027.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quantos pontos de recarga o Brasil realmente tem

O Brasil já soma 25,4 mil pontos públicos e semipúblicos para recarregar carros elétricos, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a Tupi Mobilidade. O crescimento foi de 20,9% entre fevereiro e maio deste ano — um ritmo rápido, mas que ainda esbarra numa pergunta simples: essa rede está em ritmo compatível com a frota que já roda nas ruas?

Dos pontos mapeados, 8.606 são carregadores de corrente contínua (DC) de carga rápida, o tipo que resolve viagem longa em vez de recarga noturna em casa. Eles já representam 34% da rede nacional, com alta de mais de 150% frente a 2024. É um salto, mas a proporção atual ainda é de 19,6 veículos recarregáveis para cada ponto disponível — bem acima do ideal estimado pelo setor, de 10 para 1.

BYD promete recarregar em 5 minutos, mas só em 2026

A BYD anunciou plano de instalar até 1.000 carregadores ultrarrápidos no país até 2027, com potência de até 1.500 kW. O chamado "Carregador Flash" promete recuperar grande parte da bateria em apenas 5 minutos — um salto e tanto frente aos carregadores DC convencionais, que levam entre 30 minutos e uma hora para o mesmo resultado. A primeira estação será em Brasília, com inauguração prevista para 2026.

Vale separar propaganda de infraestrutura: por enquanto é uma estação-piloto, não uma rede nacional operando. A pergunta que fica é a mesma de sempre em anúncio de montadora: o cronograma de 1.000 pontos até 2027 vai se sustentar, ou vai depender de parcerias, como a que a própria BYD já mantém com a Tupi Mobilidade para recarga automática sem aplicativo?

Onde está faltando ponto de recarga

A concentração de infraestrutura ainda é no Sudeste, enquanto Norte e Centro-Oeste lideram as novas instalações — sinal de que o mapa está, aos poucos, tentando se equilibrar. Mas o cálculo do setor é direto: para sustentar a eletrificação da frota até 2035, o Brasil precisaria de R$ 5 bilhões em investimento adicional em recarga.

É o tipo de conta que não aparece no anúncio de lançamento de nenhum carregador ultrarrápido, mas que decide se o motorista de cidade média vai conseguir rodar elétrico sem depender só da tomada de casa — ou se a recarga rápida vai continuar sendo privilégio de quem mora perto de grande capital.

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