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Segurança16 de set. de 2026, 15:16Atualizada em 16 de set. de 2026, 20:45

Rede de apps de namoro usa IA da Anthropic para aplicar golpes em massa

Pesquisador de segurança descobriu uma rede de cerca de 28 aplicativos de encontros que usava a IA Claude, da Anthropic, para criar milhares de perfis falsos e induzir usuários a comprar créditos dentro do app.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O pesquisador de segurança Matthew "Zigula" Gore-Kormanik estava analisando um aplicativo de namoro fraudulento chamado Dora quando recebeu um pop-up avisando que estava recebendo uma chamada de "Jennifer" — perfil de 41 anos, signo de Sagitário, cabelo ruivo, olhos azuis e piercings, que dizia gostar de música, filmes de terror, vida noturna e esportes. Ao atender a videochamada, ele não viu nenhuma mulher: apenas uma tapeçaria se mexendo ao fundo, com um áudio distorcido. Depois, "Jennifer" mandou uma mensagem dizendo que sua voz era "melhor do que o esperado" — mesmo com o microfone dele desligado.

A descoberta expôs uma operação muito maior. Segundo a Anthropic, empresa americana de inteligência artificial que desenvolve o modelo Claude, uma rede de cerca de 28 aplicativos de namoro — entre eles Dora, Doni, Romi, Luma, Jovia, Kira, Gracechat, Haven, Nalo e Lovia — usava o Claude para gerar personas femininas autônomas que conduziam conversas, criavam respostas, geravam avatares e fabricavam fotos de perfil. No período de duas semanas analisado, em abril, a rede operou mais de 4.700 personas de IA distintas, trocou cerca de 2,36 milhões de mensagens e enganou pelo menos 25 mil pessoas. Uma única conta pré-paga chegou a gerar mais de 100 mil requisições de API por dia, o que chamou a atenção da Anthropic para a atividade suspeita.

Quem é afetado

Apenas uma em cada quatro pessoas com quem os usuários "davam match" era real — trabalhadores contratados que escolhiam respostas pré-geradas e passavam por verificações de identidade para dar aparência de legitimidade ao app. O restante, cerca de 75% dos perfis exibidos nos feeds, era gerado por IA sem qualquer aviso aos usuários. Os aplicativos também fabricavam curtidas, visitas de perfil e vídeos pré-gravados para simular interesse real, segundo a apuração. De acordo com a investigação, os desenvolvedores mostravam às lojas de aplicativos da Apple e do Google uma versão "limpa" durante a revisão e só ativavam os recursos enganosos depois da aprovação — driblando os filtros de segurança das próprias plataformas.

O que fazer agora

  • Desconfie de matches que respondem rápido demais, o tempo todo, ou que evitam fazer videochamadas com desculpas repetidas.
  • Nunca compre moedas, créditos ou assinaturas para "desbloquear" conversas com perfis ainda não verificados.
  • Preste atenção a sinais de vídeo estranhos, como imagens travadas, fundo repetitivo ou áudio distorcido — indícios de que não há uma pessoa real do outro lado.
  • Denuncie perfis suspeitos tanto dentro do aplicativo quanto para a App Store ou a Google Play, já que muitos desses apps só ativam o golpe depois de aprovados nas lojas.
  • Mantenha um antivírus atualizado no celular e evite instalar apps de namoro pouco conhecidos sem checar avaliações recentes de outros usuários.
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