
Rede europeia de cidades lança edital para combater desigualdade na mobilidade
POLIS e Toyota Mobility Foundation vão financiar de três a cinco cidades médias europeias para atacar pobreza de mobilidade e falta de acesso a transporte público; inscrições vão até dezembro.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Pra quem mora na cidade, a pergunta de sempre é: dá pra sair de casa?
Pobreza de mobilidade tem nome e sobrenome: é a dificuldade de chegar ao trabalho, à escola ou ao posto de saúde porque não existe linha de transporte decente, ou porque ela existe mas custa caro demais. É esse problema que a POLIS, rede que reúne mais de 130 cidades e regiões europeias para discutir política de transporte, resolveu atacar num programa novo chamado Inclusive Mobility Cities Challenge — financiado pela Toyota Mobility Foundation, braço filantrópico da fabricante japonesa de carros voltado a projetos de mobilidade urbana.
Quantas cidades, qual tamanho, quanto dinheiro
Foto: reprodução/smartcitiesworld.net
O edital vai selecionar de três a cinco "Cidades Campeãs", com população entre 100 mil e 1 milhão de habitantes, em países da União Europeia, Reino Unido, Noruega, Islândia ou Suíça. E aqui já cabe a pergunta que todo cidadão devia fazer antes de aplaudir qualquer edital: quanto custa isso? A resposta oficial, por ora, é "depende". Cláudia Ribeiro-Vervaeck, responsável pelo programa na POLIS, diz que as alocações de financiamento ainda não foram determinadas e vão variar conforme a ambição e os requisitos de cada projeto selecionado.
O que as cidades precisam entregar — e quem cobra isso depois
Não é cheque em branco. As cidades selecionadas terão que apresentar objetivos mensuráveis, indicadores-chave de desempenho e dados de linha de base, para que dê pra avaliar se o dinheiro resultou em mobilidade melhor ou só em slide bonito de prefeitura. O apoio técnico e financeiro dura até quatro anos — tempo suficiente pra testar solução de verdade, mas também tempo suficiente pra política local trocar de prefeito no meio do caminho, risco sempre presente em projetos de ciclo longo.
O calendário e a pergunta que fica
As inscrições, abertas a cidades-membro da POLIS e a municípios com relação prévia com a Toyota Mobility Foundation, se encerram em 11 de dezembro, com pré-selecionados avisados em fevereiro de 2027. Fica no ar a pergunta que vale pra qualquer programa assim, seja em Bruxelas ou em qualquer capital brasileira: quando o relatório final chegar, quem vai realmente comparar o que foi prometido com o que foi entregue?