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MercadoIA19 de ago. de 2026, 11:15

Relativity Networks capta US$ 22 milhões com fibra óptica de núcleo oco

Startup levanta rodada SAFE que superou em mais que o dobro sua meta e já fecha pedido de US$ 40 milhões com um hyperscaler para conectar data centers de IA com menos latência.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 22 milhões para reinventar o cabo que já achávamos perfeito

A Relativity Networks acaba de captar US$ 22 milhões em uma rodada SAFE que superou em mais do dobro sua meta original de US$ 11 milhões. Os novos investidores são Rhapsody Venture Partners, Bell Ventures Inc. e Faster Than Glass LLC. Mais interessante que o cheque, porém, é o que veio junto: um pedido de follow-on de US$ 40 milhões de um hyperscaler não identificado, depois que a tecnologia da startup passou em testes ligando dois data centers reais.

O que é fibra de núcleo oco (e por que isso importa)

A fibra óptica tradicional carrega luz através de um fio de vidro sólido — e é o vidro que desacelera o sinal, porque a luz viaja mais devagar dentro dele do que no ar. A solução da Relativity, batizada de ChronoCore, substitui esse núcleo de vidro por um vácuo (ou quase isso) no centro do cabo, permitindo que a luz percorra um caminho com muito menos resistência.

Nos números, a diferença aparece na latência: enquanto a fibra convencional leva cerca de 5 microssegundos para percorrer um quilômetro, a versão de núcleo oco faz o mesmo trajeto em cerca de 3,5 microssegundos — uma redução de 30%. O investidor Carsten Boers, da Rhapsody, falou em luz viajando 47% mais rápido que em fibras de vidro sólido, o que permitiria distribuir data centers por distâncias maiores sem estourar o orçamento de latência.

A tecnologia em si não é nova — pesquisadores já trabalham com fibra de núcleo oco há anos —, mas raramente saiu do laboratório para produção em escala. A Relativity diz ter alcançado a maior densidade já produzida para esse tipo de cabo: 24 fibras em um único cabo de 10mm, fabricado em parceria com a Prysmian e testado pela Dura-Line.

Quem ganha com isso

O alvo declarado são os data centers de inteligência artificial, especialmente arranjos multi-campus, onde operadores tentam fazer milhares de GPUs espalhadas por diferentes endereços físicos se comportarem como uma única máquina. Segundo o CEO e fundador Jason Eichenholz, "a IA não está mais escalando dentro de um data center — está escalando através da geografia", e o gargalo real não é mais poder de cálculo, e sim energia elétrica disponível perto o suficiente para não perder tempo em latência. Quem sai na frente são os hyperscalers com apetite para redesenhar infraestrutura em busca de cada microssegundo; quem fica de olho no retrovisor são os fabricantes de fibra convencional.

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