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Smart Cities26 de out. de 2026, 23:06

Relatório britânico pede mais poder de cidades sobre transporte público

Estudo do Centre for Cities mostra que prefeitos no Reino Unido enfrentam poucos poderes, burocracia e falta de recursos para construir metrô, bonde ou BRT.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quem decide se a sua cidade tem metrô?

Pra quem mora em Leeds, no norte da Inglaterra, a resposta é frustrante: nos últimos quarenta anos, a cidade apresentou 11 propostas de rede de bonde ou trólebus — e nenhuma saiu do papel. Um relatório publicado nesta semana pelo Centre for Cities, think tank britânico dedicado à economia das cidades do Reino Unido, aponta o motivo: falta de poder local sobre planejamento, financiamento e execução de obras de transporte.

O estudo, chamado "Licence to build: Delivering urban transport infrastructure through devolution", compara o Reino Unido a outros países europeus e o resultado é desfavorável. Desde 2010, a França construiu cerca de 420 km de linhas de bonde e trem leve — mais do que os 350 km que existem em toda a rede britânica atual, somando todas as cidades.

Quanto custou — e quem travou

O relatório detalha a burocracia que atravessa qualquer projeto. O pedido de autorização do bonde do West Midlands, por exemplo, levou três anos de tramitação e resultou em 6 mil páginas de documentação. Já o Metrolink de Greater Manchester precisou de dois anos só para receber aprovação do governo central antes de sair do papel.

A pergunta que o relatório faz — e que vale pra quem acompanha qualquer prefeitura no Brasil tentando construir um BRT ou uma linha de metrô — é simples: por que o poder de decidir e pagar pela infraestrutura de transporte continua concentrado no governo central, enquanto quem sofre com a lentidão é o cidadão que depende do transporte público todo dia?

As recomendações

O Centre for Cities sugere quatro frentes de mudança: fortalecer os poderes dos prefeitos eleitos, criar um sistema de planejamento mais previsível e baseado em regras claras, dar independência financeira às autoridades locais — inclusive deixando-as captar recursos via impostos retidos na própria região — e ampliar a capacidade técnica das autoridades estratégicas municipais. O relatório também defende padrões nacionais de design para sistemas de transporte de massa, pra evitar que cada cidade reinvente o projeto do zero.

Fica a pergunta que qualquer munícipe deveria fazer sobre uma obra pública: quem vai fiscalizar se essas mudanças de fato destravam os projetos represados — ou se o papel vira só mais um relatório engavetado.

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