
Relatório interno revela que TikTok escondeu falha de segurança de 15 milhões
Documento confidencial obtido pela Bloomberg mostra que o TikTok manteve uma versão sem proteções extras do algoritmo para milhões de usuários nos EUA como experimento, entre eles um adolescente de 16 anos que morreu por suicídio em 2022 após ser exposto a milhares de vídeos sobre o tema.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Documento confidencial expõe experimento do TikTok
Um relatório interno do TikTok, obtido pela agência Bloomberg e revelado em agosto de 2026, mostra que a empresa testou, em 2021, uma mudança no algoritmo criada para reduzir a exposição repetitiva de usuários a conteúdo prejudicial. Mas, em vez de aplicar a atualização a toda a base nos Estados Unidos, o TikTok manteve cerca de 10% dos usuários — na época, aproximadamente 15 milhões de pessoas — na versão antiga do sistema, sem as novas proteções, como parte de um experimento para medir o impacto da mudança no engajamento do aplicativo.
O caso Chase Nasca
Entre os usuários mantidos fora da atualização de segurança estava Chase Nasca, adolescente de 16 anos morador de Nova York, que morreu em fevereiro de 2022. Segundo o relatório interno, nas duas semanas anteriores à morte, o algoritmo recomendou a ele 7.563 vídeos, dos quais 73% tratavam de temas como depressão, solidão e términos de relacionamento, e cerca de 10% violavam as próprias diretrizes do TikTok contra conteúdo que promove ou normaliza suicídio e automutilação.
Os pais de Chase processaram o TikTok e a ByteDance por morte culposa (wrongful death), argumentando que o algoritmo da plataforma o expôs de forma insistente a conteúdo nocivo. A ação foi rejeitada por um juiz, que aceitou o argumento da defesa de que a Seção 230 da lei americana de decência nas comunicações (Communications Decency Act) protege a empresa de responsabilização pelo conteúdo distribuído pelo algoritmo. A família recorreu da decisão, e o processo segue em tramitação.
O que o TikTok disse
Em depoimento ao Congresso americano e em respostas escritas ao processo, representantes do TikTok negaram que o uso da plataforma tenha causado suicídios e afirmaram que as diretrizes da empresa proíbem a promoção desse tipo de conteúdo. Um relatório interno de março de 2023, elaborado pelas próprias equipes de segurança e algoritmo do TikTok, no entanto, concluiu que as estratégias voltadas a evitar o efeito de "bolha" ou "buraco de coelho" de conteúdo prejudicial não funcionaram no caso de Chase — e que isso ocorreu por desenho do próprio sistema, já que ele fazia parte do grupo de controle sem as proteções.
Outros casos ligados à plataforma
O caso de Chase Nasca não é isolado. Segundo o levantamento, o TikTok fechou cinco acordos em 2023 relacionados a processos por danos associados a suicídios de usuários. Na França, uma investigação criminal foi aberta em novembro de 2025 após sete famílias processarem a plataforma em 2024, alegando que o algoritmo teria contribuído para a morte de adolescentes, entre eles uma jovem de 15 anos.
Procurado, o TikTok mantém a posição de que rejeita as acusações e reforça que possui políticas de proteção a usuários vulneráveis, mas a empresa não deu detalhes públicos sobre por que manteve parte dos usuários fora da atualização de segurança testada em 2021.
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