
Relatório mostra que integração é chave para reciclar resíduos orgânicos
Estudo do NRDC comparando dez cidades americanas mostra que o custo da coleta de orgânicos depende mais do desenho do programa do que do volume coletado.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O que o relatório mostrou
Um novo relatório do NRDC (Natural Resources Defense Council), organização ambiental americana, comparou dez programas municipais de coleta porta a porta de resíduos orgânicos nos Estados Unidos — oito já em operação, dois ainda pilotos — e chegou a uma conclusão que interessa a qualquer prefeito de olho no orçamento: não existe um custo fixo ou "certo" para esse tipo de coleta. Segundo os autores, "a diferença entre um serviço de duas ou três lixeiras, quando o programa de três é desenhado de forma eficiente, é pequena" — ou seja, o que determina o custo não é o número de latões na calçada, mas o quanto a coleta de orgânicos está integrada ao sistema de resíduos sólidos já existente na cidade.
Quanto custa, afinal
As taxas de processamento de resíduos orgânicos ("tipping fees") variaram de US$ 0, quando a cidade tem arranjo público próprio, a US$ 100 por tonelada em mercados privados mais restritos — uma diferença e tanto para o contribuinte, dependendo de como a prefeitura negocia o contrato.
Comparando cidades
Nova York tem hoje o maior programa de coleta de orgânicos do país, mas enfrenta atrasos na implementação completa. Já cidades menores testam modelos mais enxutos: Nashville, no Tennessee, roda um piloto opcional ("Food Scraps Pickup Pilot") com cerca de 750 domicílios, pago pelo fundo geral da cidade mais uma taxa de US$ 27 por residência que aderir. Durham, na Carolina do Norte, testou outro modelo com veículos próprios da prefeitura entregando a um contratante privado, expandindo bairro a bairro, e atingiu cerca de 500 domicílios durante o período de estudo. Boise, em Idaho, foi mais longe: tornou o programa obrigatório, com taxa de descarte de lixo comum mais cara para quem opta por não participar — e conseguiu 97% de adesão.
Quem fiscaliza e quem paga
O relatório não aponta um modelo "vencedor" único, mas reforça que cidades que pensam a coleta de orgânicos como parte do sistema de lixo mais amplo — e não como um serviço à parte — conseguem custos mais previsíveis. Para o cidadão, a pergunta prática continua sendo a mesma de sempre: quem decide se a taxa de orgânicos entra na conta de lixo normal ou vem separada, e quem audita se o material realmente vira composto, em vez de ir parar no aterro de qualquer jeito.