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Smart Cities26 de out. de 2026, 23:06

Relatórios mostram que poucos estados dos EUA aguentariam desastre sem a FEMA

Levantamentos recentes apontam que a maioria das agências locais de emergência nos EUA tem equipe e orçamento insuficientes, justo quando Washington sinaliza repasse de mais custos de desastre para estados e cidades.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quem paga a conta quando o desastre chega?

Imagine uma enchente grande na sua cidade e a pergunta inevitável: o município tem reserva de caixa pra tocar a recuperação sem esperar ajuda de fora? Nos Estados Unidos, essa pergunta ganhou urgência depois que o governo sinalizou que estados deveriam estar preparados para assumir mais custos de resposta e recuperação a desastres em até seis meses, reduzindo a dependência da FEMA — a agência federal americana de resposta a emergências e desastres, equivalente a uma Defesa Civil nacional.

O problema, segundo uma série de relatórios recentes, é que a maioria dos estados e cidades simplesmente não tem estrutura pra isso. Um estudo do Urban Institute, organização de pesquisa em políticas públicas, mostrou que, dos 31 estados que receberam recursos federais para desastres em 2019, apenas cinco tinham reservado dinheiro suficiente no próprio orçamento para cobrir os custos. Já uma pesquisa com agências locais de gestão de emergências encontrou um retrato preocupante: mais da metade opera com uma única pessoa — ou nenhuma — em tempo integral, e 19% dos diretores dizem atender "muito pouco ou nada" às necessidades da comunidade.

Foto: reprodução/smartcitiesdive.com

Desigualdade entre estados é gritante

Os números do orçamento para gestão de emergências no ano fiscal de 2026 mostram a disparidade: o Novo México reservou apenas US$ 390 mil, enquanto Illinois destinou US$ 700 milhões. A dependência de dinheiro federal também varia muito, indo de 0% a 99,4% conforme o estado. Nos fundos de reserva para emergência, a diferença é ainda mais brutal: de US$ 240 milhões em Dakota do Sul a mais de US$ 20 bilhões no Texas.

Vozes em choque

Cameron Hamilton, administrador da FEMA, defendeu que os estados precisam construir "reservas financeiras apropriadas" para que a recuperação comece de imediato, sem esperar o governo federal. Já Alan Gerard, CEO da empresa de meteorologia Balanced Weather, foi mais cauteloso: a ideia é "maravilhosa em teoria", mas "muito mais difícil de alcançar na prática".

E no Brasil?

A discussão americana soa familiar para quem acompanha a dança entre União, estados e municípios depois de tragédias como as enchentes no Rio Grande do Sul: quando a conta do desastre aparece, quem garante que o dinheiro emergencial estará disponível antes que a ajuda federal chegue — e quem fiscaliza se esse caixa de reserva existe de fato?

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