
Reliable Robotics capta US$ 115 milhões e vira unicórnio da aviação autônoma
A startup de ex-engenheiros da SpaceX superou avaliação de US$ 1 bilhão numa extensão de Série D liderada pela Nimble Partners, dinheiro que vai turbinar a corrida por certificação de piloto automático na FAA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 115 milhões. Foi esse o cheque que a Reliable Robotics, startup de aviação autônoma fundada por ex-engenheiros da SpaceX, embolsou numa extensão da sua Série D — e que fez a avaliação da empresa superar a marca de US$ 1 bilhão, carimbando seu ingresso no clube dos unicórnios.
Como fica a conta
Dos US$ 115 milhões, US$ 90 milhões vieram em equity e US$ 25 milhões em dívida, com o Silicon Valley Bank como provedor do crédito. A rodada foi liderada pela Nimble Partners, gestora de venture capital, com participação de Gideon Strategic Partners, RockCreek, Geek Ventures, Gold Hill Capital e Sparkwave Capital. Com o aporte, a Série D da companhia soma US$ 275 milhões, e o total levantado pela Reliable Robotics desde a fundação chega a US$ 380 milhões.
Foto: reprodução/cryptobriefing.com
O que a empresa faz
Fundada por Robert Rose, ex-diretor de software de voo da SpaceX com passagens por Tesla e Google, e Juerg Frefel, outro veterano de quase uma década na SpaceX, a Reliable Robotics desenvolve sistemas de voo autônomo que podem ser instalados em aeronaves já existentes — sem precisar projetar um avião do zero. A empresa, sediada em Mountain View, na Califórnia, passou quase dez anos trabalhando rumo à certificação comercial da tecnologia.
O plano de produto caminha em quatro frentes de certificação na Federal Aviation Administration (FAA): piloto automático contínuo (que cuida de partida, taxiamento, decolagem e aterrissagem com o piloto ainda na cabine, previsto para 18 a 24 meses); realocação do piloto para uma estação de controle em terra (3 anos ou mais); radar de prevenção de colisão em estado sólido, desenvolvido internamente, com certificação esperada até o fim de 2027; e a Reliable Airlines, projeto para ser a primeira companhia aérea certificada pela FAA a operar com tecnologia autônoma, com base em Albuquerque e frota de seis Cessna Caravan fazendo cargas seis dias por semana.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é a própria Reliable Robotics, que usa o capital para expandir frota, estrutura de produção e equipe de engenharia numa corrida regulatória que é cara e lenta. Também ganham os investidores early-stage, que viram o valuation multiplicar com o ingresso no grupo dos unicórnios. Quem sente a pressão são operadores tradicionais de carga aérea regional e fabricantes de sistemas de aviônicos legados, que agora competem com uma solução que promete rodar em aeronaves já existentes — sem exigir frota nova. "É um esforço e uma oportunidade muito maiores do que simplesmente construir um avião", resumiu John Burbank, da Nimble Partners.