
Renault corta R$ 57 mil do Megane E-Tech e elétrico fica mais barato que Boreal
A Renault reduziu o preço do Megane E-Tech para R$ 212.790, valor R$ 2.200 menor que o topo de linha do Boreal, movimento para escoar estoque de um modelo que vendeu só 346 unidades em quase três anos.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 57 mil é o número que resume o aperto da Renault
A Renault cortou R$ 57 mil do preço do Megane E-Tech, seu SUV cupê elétrico importado da França, que agora sai por R$ 212.790 — R$ 2.200 a menos que o topo de linha do Boreal, o SUV médio a combustão que a marca fabrica no Paraná. Na prática, o elétrico da montadora ficou mais barato que o modelo nacional mais caro do próprio catálogo. A promoção, aplicada nas concessionárias, não tem data definida para acabar.
Por que a Renault mexeu no preço
Foto: reprodução/autopapo.com.br
O corte não é um gesto de generosidade, é resposta a um problema de vendas que se arrasta desde o lançamento do Megane E-Tech, em setembro de 2023, por R$ 279.900. Em quase três anos de mercado, o modelo acumulou apenas 346 unidades emplacadas no Brasil — média inferior a dez carros por mês. É pouco para qualquer segmento, e menos ainda para uma marca que precisa girar estoque de um veículo importado, sujeito a câmbio e a custos logísticos que não perdoam parado no pátio.
As specs por trás do preço
O Megane E-Tech entrega 220 cv de potência e 30,6 kgfm de torque, acelera de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos e atinge até 160 km/h. A bateria de 60 kWh garante autonomia homologada de 337 km pelo ciclo Inmetro, com recarga rápida de até 130 kW capaz de levar o pacote de 0% a 80% em cerca de 30 minutos. São 4,20 m de comprimento e 440 litros de porta-malas — um SUV compacto, mais curto e com menos espaço de carga que o Boreal, que mede 4,56 m e oferece 522 litros.
Quem ganha e quem perde
A Renault ganha fôlego para desovar estoque parado e evita que o Megane E-Tech vire peso contábil indefinido no balanço. Mas o desconto de R$ 57 mil também expõe uma fragilidade: um elétrico que nasceu para ser vitrine tecnológica da marca virou item de liquidação, num mercado brasileiro de elétricos cada vez mais disputado por rivais chinesas com preços agressivos e portfólio mais amplo. Quem sai ganhando de verdade é o consumidor dessa faixa de preço, que agora pode escolher um SUV elétrico importado pagando menos que por um SUV a combustão nacional do próprio catálogo Renault — uma inversão que dificilmente fazia sentido na estratégia original de posicionamento da marca.
Para a concorrência entre elétricos no Brasil, o movimento da Renault reforça uma tendência: preço, não tecnologia, é o que está decidindo a corrida por participação de mercado no segmento eletrificado.