
Replit, avaliada em US$ 9 bi, aposta na 'empresa autônoma' guiada por IA
O CEO da Replit, Amjad Masad, defendeu no TechCrunch Disrupt o modelo de 'self-driving company', em que agentes de IA tocam o operacional e humanos cuidam só das decisões estratégicas. A startup soma receita anualizada de US$ 525 milhões.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 9 bilhões é quanto vale hoje a Replit, plataforma de desenvolvimento de software com IA que permite criar aplicativos direto do navegador, depois de triplicar sua avaliação em apenas seis meses com uma rodada Série D de US$ 400 milhões em março. É esse crescimento vertiginoso — a receita anualizada já passa de US$ 525 milhões, com meta de bater US$ 1 bilhão até o fim do ano — que dá peso à tese que o CEO Amjad Masad defendeu no palco do TechCrunch Disrupt 2026, em São Francisco: o futuro do trabalho corporativo é a "self-driving company", a empresa que se dirige sozinha.
O que muda na prática
"A empresa mudou inteiramente como opera, e eu diria que a analogia mais próxima é uma 'self-driving company'", disse Masad. Na definição dele, trata-se de um modelo em que "agentes fazem a maior parte do trabalho, mas, crucialmente, há julgamento humano no meio" — não a eliminação do trabalhador, mas a realocação dele para decisões de maior valor.
O exemplo que Masad usou é o próprio dia a dia da Replit: tickets de suporte chegam e são triados primeiro por um agente de IA, que cruza issues no GitHub, a base de código e tarefas no Linear antes de qualquer humano ver o caso. Quando chega à pessoa responsável, o problema já vem com contexto consolidado — um clique aciona outro agente para implementar a correção.
O que ganha espaço, o que perde relevância
Segundo o CEO, a mudança já é visível internamente: "gastamos muito mais tempo descobrindo o que trabalhar — muito mais discussões, muito mais whiteboarding", afirmou, numa inversão do fluxo tradicional em que a maior parte do tempo ia para execução, não para definição de prioridades. Masad reconhece que o trabalho de "todos nesta plateia" mudou no último ano, mas evita o tom apocalíptico comum no debate sobre IA e emprego, dizendo querer oferecer uma narrativa mais otimista do que a predominante no Vale do Silício.
No mercado, a tese tem peso de números: com mais de 50 milhões de usuários e presença em 85% das empresas da Fortune 500, a Replit se tornou vitrine de como ferramentas de IA generativa para código estão remodelando o fluxo de trabalho de desenvolvedores. Quem ganha é a própria Replit, que transforma sua operação interna em case de vendas. Quem fica sob pressão são empresas de software tradicionais e prestadoras de suporte técnico cujo modelo de negócio ainda depende de volume de horas humanas — exatamente o que o agente de triagem da Replit promete cortar.